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A China anunciou, nesta quarta-feira, a suspensão de certas contramedidas não tarifárias direcionadas a entidades americanas, marcando um novo passo na distensão da prolongada e custosa guerra comercial com os Estados Unidos. Esta medida ocorre após Pequim e Washington concordarem em reduzir substancialmente as tarifas que haviam imposto mutuamente, oferecendo um respiro aos mercados globais e às cadeias de suprimentos internacionais que foram gravemente afetadas pela disputa.
Um porta-voz do Ministério do Comércio chinês, em um comunicado emitido em Pequim, informou que o governo suspenderá certas restrições a dezenas de entidades americanas durante um período de 90 dias. Esta decisão, segundo o porta-voz, tem como objetivo “implementar o consenso alcançado nas conversas econômicas e comerciais de alto nível entre China e Estados Unidos”.
Especificamente, a China suspenderá os controles de exportação e as sanções conhecidas como “listas de entidades não confiáveis” que haviam sido anunciadas em abril. Essas medidas, que agora ficam em suspenso, faziam parte das respostas de Pequim às ações comerciais de Washington. A suspensão entrou em vigor na quarta-feira e se manterá durante os próximos 90 dias.
Este anúncio ocorre em paralelo à entrada em vigor, também na quarta-feira, da redução de tarifas por ambas as nações. Os Estados Unidos e a China concordaram em reduzir drasticamente as tarifas impostas aos produtos um do outro durante um período de 90 dias, em um acordo que surgiu de conversas cruciais realizadas no fim de semana em Genebra.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma entrevista transmitida na terça-feira pela Fox News enquanto se dirigia à sua viagem pelo Golfo, afirmou que Washington agora conta com um plano para um acordo comercial “muito, muito forte” com a China. Segundo Trump, este acordo faria com que a economia chinesa se “abrisse” às empresas americanas.
“Temos os contornos de um acordo muito, muito forte com a China. Mas a parte mais emocionante do acordo… é a abertura da China às empresas americanas”, declarou Trump, sem oferecer detalhes específicos sobre os termos do possível acordo.
A imposição de tarifas por Trump havia alterado significativamente o comércio internacional, e a China havia sido particularmente afetada. Em resposta às medidas de Washington, Pequim aplicou tarifas de retaliação que elevaram os gravames em ambos os lados a níveis superiores a 100% em muitos casos.
Após as perdas multimilionárias nos mercados de ações e as dificuldades crescentes para as empresas, as duas superpotências comerciais finalmente iniciaram negociações de alto nível em Genebra para buscar uma saída para o impasse.
Como resultado dessas conversas, os Estados Unidos concordaram em reduzir suas novas tarifas sobre os produtos chineses para 30%, enquanto a China diminuirá as suas para 10%, o que representa uma redução de mais de 100 pontos percentuais em alguns casos.
As reduções tarifárias entraram em vigor logo após a meia-noite, horário de Washington (05h01, horário de Brasília) de quarta-feira, o que representa uma importante desescalada nas tensões comerciais que haviam elevado as tarifas americanas sobre algumas importações chinesas para até 145% e até mesmo 245% em certos produtos.
Washington também reduziu as tarifas sobre as importações de baixo valor provenientes da China, que haviam afetado plataformas de comércio eletrônico como Shein e Temu. Sob a ordem de Trump, esses pequenos pacotes estariam sujeitos a tarifas de 54% de seu valor, uma redução significativa dos 120% ou um pagamento de 100 dólares que havia sido considerado.
Cautela de Xi Jinping
Enquanto os mercados reagiam positivamente à notícia da suspensão tarifária entre China e Estados Unidos, os funcionários chineses mantiveram uma postura mais reservada. Em uma cúpula em Pequim com líderes latino-americanos nesta semana, se apresentaram como um parceiro estável e defensor da globalização.
O presidente chinês, Xi Jinping, declarou aos líderes, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que “não há vencedores em guerras tarifárias ou guerras comerciais”. Por sua vez, o máximo diplomata chinês, Wang Yi, criticou uma “grande potência” que acreditava que “a força faz o direito”.
Apesar deste alívio temporário, persistem profundas fontes de tensão entre ambas as nações. A taxa tarifária adicional imposta pelos Estados Unidos continua sendo mais alta que a da China, já que inclui um gravame de 20% devido às queixas de Trump sobre as exportações chinesas de produtos químicos utilizados na fabricação de fentanil.
Washington acusa há muito tempo Pequim de fechar os olhos ao comércio de fentanil, algo que a China nega categoricamente. Embora os Estados Unidos tenham expressado sua esperança de alcançar avanços neste tema, Pequim advertiu Washington na terça-feira a “parar de difamar e transferir a culpa” para a China.
(Com informações da AFP e Bloomberg)