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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (31) que será “muito difícil” avançar em um acordo comercial com o Canadá depois que o governo do primeiro-ministro Mark Carney anunciou seu apoio à criação de um Estado palestino.
“Uau! Canadá acaba de anunciar que apoia o estado palestino. Isso tornará muito difícil que consigamos um acordo comercial com eles. Oh Canadá!”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
A declaração ocorreu poucas horas depois que Ottawa confirmou que planeja reconhecer oficialmente o Estado palestino durante o 80º período de sessões da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro.
“O Canadá tem a intenção de reconhecer o Estado da Palestina”, disse o primeiro-ministro Carney em coletiva de imprensa, o que representa uma mudança substancial na política externa canadense. Com esta decisão, o Canadá se soma a outros países ocidentais, como França e Reino Unido, que avançaram de diferentes formas em direção ao reconhecimento da Palestina.
A reação de Trump introduz uma nova tensão nas relações entre Estados Unidos e Canadá, dois parceiros históricos em matéria comercial. Embora não tenha especificado se as conversas ou medidas específicas serão suspensas, o presidente deixou claro que a postura diplomática canadense terá implicações na agenda bilateral. A Casa Branca não emitiu até o momento um comunicado oficial que amplie o que foi dito pelo presidente.
A iniciativa do governo canadense foi apresentada por Carney como uma tentativa de preservar a solução de dois Estados no conflito israelo-palestino. “Este objetivo está se erodindo diante dos nossos olhos”, declarou. Ele também afirmou que sua decisão busca “salvaguardar o futuro de Israel” e mencionou a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental como um dos fatores que, em sua opinião, minam um processo de paz viável.
Carney sublinhou que o apoio canadense se baseia em condições específicas: reformas institucionais dentro da Autoridade Palestina, eleições gerais em 2026 nas quais o Hamas não participe e a desmilitarização do futuro Estado. “Qualquer caminho para uma paz duradoura para Israel precisa de um Estado palestino estável, e um que reconheça o direito inalienável de Israel à segurança e à paz”, afirmou.
A posição canadense foi rejeitada imediatamente pelo governo israelense, que a qualificou como parte de uma “campanha distorcida de pressão internacional”. Em um comunicado, a embaixada israelense em Ottawa sustentou que “reconhecer um Estado palestino na ausência de um governo responsável, instituições funcionais ou uma liderança benevolente, recompensa e legitima a monstruosa barbárie do Hamas em 7 de outubro de 2023”.
De Ramala, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, elogiou a postura do Canadá em uma ligação telefônica com Carney. Segundo a agência oficial palestina Wafa, Abbas disse que se trata de uma “posição histórica” que poderia fortalecer a paz e a estabilidade regional.
Carney deixou claro que seu governo não prevê modificar sua postura antes de setembro. Questionado sobre uma possível reversão da medida, respondeu: “Há uma possibilidade, mas possivelmente uma que não consigo imaginar”.
Trump não fez menção direta ao plano de reconhecimento do Reino Unido nem à postura da França, concentrando sua crítica unicamente no Canadá. As relações econômicas entre ambos os países incluem um extenso intercâmbio comercial sob o marco do T-MEC (USMCA), vigente desde 2020. Até agora, Ottawa não deu sinais de que sua decisão afetará sua política comercial em relação a Washington.