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Equipes de resgate localizaram neste sábado (2) o corpo de um dos cinco trabalhadores que estavam desaparecidos desde quinta-feira (31), após o desabamento na mina chilena El Teniente, considerada a maior mina subterrânea de cobre do mundo.
A confirmação foi feita por Andrés Music, gerente-geral da mina, localizada na região de O’Higgins, cerca de 120 quilômetros ao sul de Santiago. “Na interseção do Loop central com o túnel norte, encontramos restos de uma pessoa”, afirmou ele em entrevista coletiva. A identidade da vítima ainda não foi confirmada.
O desabamento ocorreu na quinta-feira, às 17h34, após um tremor de magnitude 4,2 na escala Richter atingir o setor conhecido como Andesita, a aproximadamente 500 metros de profundidade. Até o momento, o acidente deixou dois trabalhadores mortos e outros nove feridos. Segundo as autoridades, os feridos estão fora de perigo.
As operações de resgate continuam em condições extremamente difíceis, devido à instabilidade do terreno e ao risco de novos deslizamentos. “Ainda não conseguimos estabelecer contato com os trabalhadores desaparecidos”, disse o presidente chileno Gabriel Boric neste sábado, durante visita ao local do acidente, em Rancagua.
A mina pertence à estatal chilena Codelco (Corporação Nacional do Cobre do Chile), que lidera as operações. Boric destacou que a prioridade absoluta é o resgate dos desaparecidos e pediu cautela quanto às causas do acidente. “Há muitos aspectos a esclarecer em um acidente dessa natureza. Mas o fundamental agora é o resgate dos cinco mineiros. Todas as atribuições de responsabilidades e a origem do incidente serão apuradas. Conversamos isso com as famílias”, declarou o presidente.
Os cinco desaparecidos foram identificados como Álex Araya Acevedo, Carlos Arancibia Valenzuela, Jean Miranda Ibaceta, Gonzalo Núñez Caroca e Moisés Pavez Armijo. Boric afirmou que “todas as tecnologias disponíveis no mundo estão sendo empregadas” para localizá-los.
O presidente também anunciou a participação de especialistas que atuaram no histórico resgate dos 33 mineiros na mina San José, em 2010. Entre eles estão o engenheiro Andrés Sougarret e o ex-ministro da Mineração Laurence Golborne. “Agradeço a disposição de Andrés Sougarret, ex-gerente-geral de El Teniente, e de Laurence Golborne, ex-ministro da Mineração, por se somarem aos trabalhos”, disse Boric.
Segundo ele, a galeria onde os desaparecidos podem estar tem cerca de 90 metros de extensão e está completamente colapsada. A operação conta com todos os recursos da Codelco e apoio do Estado chileno.
Boric reforçou a importância de manter a unidade nacional diante da tragédia. “Neste momento, o Chile é um só. Cada acidente na mineração tem suas particularidades, mas o objetivo comum é encontrar nossos mineiros”, afirmou. Ele também pediu respeito à dor das famílias e ressaltou que elas devem ser as primeiras a receber qualquer informação relevante.
As primeiras hipóteses apontam que o desabamento tenha sido provocado pelo tremor de quinta-feira, possivelmente relacionado a atividades de perfuração na divisão subterrânea da mina. Máximo Pacheco, presidente da Codelco, mencionou essa possibilidade em entrevista à rádio local Cooperativa.
Um trabalhador que presenciou o acidente relatou à CNN Chile que os mineiros estariam em uma área de difícil acesso, mas com condições de sobrevivência por alguns dias. “A zona dispõe de abrigos para cerca de 20 pessoas, com oxigênio, água e alimentos, pensados para situações em que não se pode ser resgatado de imediato”, explicou.
Apesar de acidentes serem frequentes na mineração chilena, o índice de mortalidade tem caído desde o caso emblemático de 2010. Apenas em 2025, já foram registradas sete mortes em minas no país, principalmente nas regiões de Antofagasta e Valparaíso.