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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (6) uma ordem executiva para impor uma nova tarifa de 25% sobre produtos importados da Índia, elevando a carga total de impostos para 50%. A medida foi tomada como retaliação à decisão do governo indiano de continuar comprando grandes volumes de petróleo da Rússia, em meio à guerra na Ucrânia.
O Brasil é um tradicional comprador de diesel russo, embora Trump ainda não tenha citado o país. No primeiro semestre, a compra de diesel russo representou 39,1% do volume adquirido pelo Brasil. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 32,8%, segundo a consultoria StoneX, com base em dados oficiais.
De acordo com o texto divulgado pela Casa Branca, a nova tarifa entra em vigor em 21 dias, ou seja, no dia 27 de agosto.
Anteriormente, a gestão Trump já havia adotado uma alíquota de 25% sobre importações indianas, com o argumento de reduzir o déficit comercial entre os dois países.
A decisão ocorre em meio à crescente frustração de Trump com o presidente russo, Vladimir Putin, por não interromper os ataques contra a Ucrânia. Na última segunda-feira, Trump afirmou em sua rede Truth Social que a Índia continuava adquirindo “quantidades massivas de petróleo russo” e criticou a postura de Nova Délhi:
“Eles não se importam com quantas pessoas estão sendo assassinadas na Ucrânia pela máquina de guerra russa.”
Terceiro maior importador de petróleo do mundo, a Índia adotou uma postura neutra e pragmática no conflito ucraniano. O país aumentou de menos de 2% para mais de um terço sua dependência do petróleo russo, transformando Moscou em seu principal fornecedor — atraído por preços mais baixos oferecidos pelo Kremlin.
Apesar da pressão de Washington, o governo indiano defende as compras como uma decisão de interesse nacional e uma contribuição para a estabilidade energética global.
Desde que a União Europeia impôs um boicote ao petróleo russo via marítima, em janeiro de 2023, Índia, China e Turquia passaram a ser os principais destinos do petróleo russo. A Índia gastou US$ 133,4 bilhões com energia russa desde então, ficando atrás apenas da China (US$ 219,5 bilhões).
O principal atrativo tem sido o preço: o petróleo russo é vendido com desconto em relação ao Brent, referência internacional, o que permite às refinarias aumentar suas margens de lucro.
Mesmo sob sanções ocidentais, a Rússia continua lucrando com suas exportações energéticas. Só em junho, o país arrecadou US$ 12,6 bilhões com vendas de petróleo, segundo a Escola de Economia de Kiev. A expectativa é que os lucros com combustíveis fósseis cheguem a US$ 153 bilhões em 2025.
Esses recursos são vitais para sustentar a máquina de guerra do Kremlin, ajudando a financiar armamentos, manter o valor do rublo e viabilizar importações estratégicas.
Apesar do teto de preços imposto pelo G7, a Rússia tem conseguido driblar as sanções utilizando uma chamada “frota fantasma”, composta por navios antigos e seguradoras de países que não aderiram às restrições.