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Apesar da intensa rodada diplomática, que incluiu encontros do presidente Donald Trump com os líderes de Rússia e Ucrânia, Moscou e Kiev seguem em um profundo impasse quanto às condições para encerrar a guerra iniciada em 2022. As negociações, que se intensificaram após as reuniões de Trump com Vladimir Putin no Alasca e Volodymyr Zelensky na Casa Branca, revelam que as divergências continuam grandes em questões centrais como cessar-fogo, cessão de território e garantias de segurança.
Após seu encontro com Putin, Trump afirmou que “muitos pontos foram acertados” e que restavam “muito poucos” obstáculos para a paz, classificando o acordo como “ao alcance da mão”. No entanto, detalhes específicos não foram divulgados, e o documento com as exigências russas, divulgado em junho, mostra que o Kremlin mantém posições maximalistas.
As Principais Divergências em Negociação
Território
Após três anos e meio de guerra, a Rússia controla cerca de um quinto do território ucraniano e já deixou claro que não tem intenção de devolver as áreas conquistadas. Em seu memorando de junho, Moscou exigiu o reconhecimento internacional da anexação de Crimeia, Lugansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia. A Crimeia, que foi anexada em 2014, é reconhecida internacionalmente como território ucraniano.
Zelensky, por sua vez, insiste que a Ucrânia não cederá território soberano e que a questão só deve ser discutida em uma mesa trilateral com a participação dos Estados Unidos. Trump, após a reunião com Zelensky, mencionou a possibilidade de “troca de território”, o que seria impopular e inconstitucional para Kiev.
Segurança e OTAN
A Rússia condiciona um acordo de paz à “neutralidade da Ucrânia”, o que significaria a recusa de Kiev em ingressar em qualquer aliança militar, como a OTAN. A adesão da Ucrânia à aliança de defesa é vista por Putin como uma ameaça existencial. Em 1994, a Ucrânia abriu mão de seu arsenal nuclear soviético em troca de garantias de segurança da Rússia que não foram cumpridas.
Zelensky considera a adesão à OTAN uma garantia de segurança vital. Trump, no entanto, publicou em redes sociais que a Ucrânia “NÃO ENTRARÁ NA OTAN”, o que coloca em xeque o apoio americano à aliança.
O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, sugeriu que os Estados Unidos e outros países europeus poderiam oferecer garantias de segurança diretas à Ucrânia, fora do Artigo 5 da OTAN, que exige defesa mútua.
As sanções impostas à Rússia têm enfraquecido sua economia. Trump se mostrou disposto a discutir o alívio das sanções como parte de um acordo, algo que Moscou busca. No entanto, o Kremlin exige a remoção de todas as sanções e o reconhecimento da “ilegalidade” delas.
Outros pontos de atrito incluem o destino dos ativos russos congelados no Ocidente, que a União Europeia planeja usar para apoiar a Ucrânia. A Rússia também demanda que a Ucrânia renuncie a indenizações por danos de guerra, enquanto Zelensky e líderes europeus exigem o retorno de milhares de crianças ucranianas sequestradas e a libertação de prisioneiros de guerra.
Com informações do The Washington Post.