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O Parlamento francês derrubou nesta segunda-feira (8) o seu segundo governo em nove meses, em meio a um tenso debate sobre a dívida pública. A queda do primeiro-ministro François Bayrou aprofunda a instabilidade política do país e intensifica os pedidos por novas eleições e até mesmo pela renúncia do presidente Emmanuel Macron.
A crise política na França é marcada pela falta de maiorias parlamentares estáveis e por uma elevada dívida pública, que gira em torno de 114% do PIB. O episódio desta segunda-feira ocorreu após Bayrou, de 74 anos, submeter seu plano de cortes orçamentários — de 44 bilhões de euros — a um voto de confiança, que ele perdeu. Ao todo, 364 deputados votaram contra o governo, enquanto apenas 194 o apoiaram.
“Vocês podem derrubar o governo, mas não podem apagar a realidade”, alertou Bayrou aos parlamentares, enfatizando a situação de “emergência vital” que a segunda maior economia da União Europeia enfrenta por causa de seu “endividamento excessivo”. A expectativa é que o quarto primeiro-ministro de Macron desde 2022 apresente oficialmente sua renúncia na terça-feira.
A proposta de cortes de Bayrou, que incluía a supressão de dois feriados, reacendeu o mal-estar social. Manifestações foram realizadas em frente às prefeituras para celebrar a queda do governo, e protestos maiores estão previstos para os próximos dias.
A queda do governo aumenta a pressão sobre o presidente Macron. A líder da ultradireita, Marine Le Pen, afirmou que ele tem a “obrigação” moral de convocar eleições legislativas antecipadas. No entanto, pesquisas de opinião indicam que um novo pleito resultaria em um parlamento novamente dividido, com três blocos principais e sem maiorias estáveis.
Outra opção para Macron é nomear um novo primeiro-ministro, que teria o desafio de conciliar as diferentes demandas da oposição. O ex-primeiro-ministro Gabriel Attal, por exemplo, propôs um “acordo de interesse geral” entre as forças políticas para superar o impasse até o final do mandato de Macron em 2027.
Diante do cenário de crise, a agência de classificação de risco Fitch tem previsão de anunciar uma nova nota para a dívida soberana da França. Em março, a agência já havia alertado que rebaixaria a classificação se o país não apresentasse um “plano crível” para reduzir o endividamento.
A queda de um novo governo poderia levar à renúncia de Macron, um cenário que ele já descartou, mas que é desejado por 64% dos franceses, segundo uma pesquisa recente. O líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, já pediu a saída do presidente. “Bayrou caiu (…) Macron agora está na linha de frente diante do povo. Ele também deve ir embora”, escreveu Mélenchon na rede social X.