Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
A recente incursão de drones russos no espaço aéreo da Romênia provocou forte reação na União Europeia (UE), que classificou o episódio como uma “escalada imprudente” e reafirmou sua solidariedade ao país.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que o incidente foi uma “violação flagrante” da soberania europeia. “A incursão da Rússia no espaço aéreo romeno constitui mais uma vez uma violação flagrante da soberania da UE e uma grave ameaça à segurança regional”, afirmou em suas redes sociais.
A alta representante para os Assuntos Exteriores da União Europeia, Kaja Kallas, também considerou o episódio uma “escalada imprudente”. Segundo ela, essa “inaceitável violação da soberania de um Estado-membro da UE” representa um agravamento preocupante do conflito.
Após o ocorrido, Bruxelas mantém contato próximo com o governo romeno e apoia as medidas adotadas para proteger seu espaço aéreo.
O incidente aconteceu no sábado, quando dois caças F-16 da Força Aérea Romena decolaram após a detecção da presença de um drone russo em território nacional, próximo à fronteira com a Ucrânia. O ministro da Defesa da Romênia, Ionuț Mosteanu, explicou que as aeronaves rastrearam o drone até que ele desaparecesse do radar na região de Tulcea, a cerca de 20 quilômetros da fronteira ucraniana. O ministério detalhou que a operação começou às 18h23 (15h23 GMT) e que a população local não esteve em risco em nenhum momento.
Mosteanu reforçou que a Romênia “defende seu espaço aéreo e permanece vigilante diante da agressão russa” e advertiu que drones russos que voltarem a violar o espaço aéreo serão derrubados, seguindo o precedente da Polônia. Ele lembrou que a legislação nacional autoriza o abate de aeronaves que ingressem sem permissão e garantiu que os sistemas antiaéreos em terra, sobretudo nas áreas densamente povoadas ao longo do braço Chilia do Danúbio, estão prontos para responder a novas incursões. Equipes especializadas também estão preparadas para buscar possíveis destroços do drone, que desapareceu do radar ao sudoeste de Chilia Veche, sugerindo um possível acidente.
O ministro destacou ainda que a recente aprovação de uma lei pelo Parlamento romeno estabeleceu uma hierarquia de comando clara para autorizar o uso da força contra aeronaves não identificadas. Em alguns casos, a decisão depende dele próprio, e, segundo afirmou, não hesitará em intervir se necessário. Ele ressaltou também a coordenação permanente da Romênia com o centro de comando da OTAN e a atuação conjunta com os aliados.
O episódio se soma a outros semelhantes ocorridos nos últimos dias tanto na Romênia quanto na Polônia. No dia 10 de setembro, Bucareste já havia mobilizado caças F-16 diante da presença de drones russos próximos ao espaço aéreo do país, no mesmo período em que a Polônia derrubou vários aparelhos que entraram em seu território. Na noite de 9 para 10 de setembro, destroços de drones russos foram encontrados em até 17 municípios, a maioria na região polonesa de Lublin, o que levou Varsóvia a acionar o alerta da OTAN.
No sábado, a Força Aérea da Polônia e aliados da OTAN também mobilizaram caças após relatos de uma possível ameaça de drones russos em áreas fronteiriças com a Ucrânia. A situação forçou o fechamento temporário do aeroporto da cidade de Lublin, que retomou suas operações após o fim da alerta. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, agradeceu a todos os envolvidos na operação e reforçou que “seguimos vigilantes”.
Em resposta ao aumento da tensão na fronteira oriental da Aliança, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, anunciou a criação da iniciativa militar “Sentinela Oriental”, destinada a reforçar a defesa do flanco leste da OTAN após a invasão do espaço aéreo polonês por drones russos na quarta-feira anterior. A medida se soma aos esforços coordenados dos países membros para garantir a segurança regional.
As autoridades polonesas classificaram os incidentes como uma provocação e um teste à reação da OTAN, e não como um ataque direto. Mosteanu, da Romênia, concordou que a presença de múltiplos drones não foi acidental e destacou a firmeza da resposta dos aliados. Tanto Romênia quanto Polônia intensificaram a vigilância e a preparação de suas forças aéreas diante da possibilidade de novas incursões.
Nesse cenário, as autoridades romenas reafirmam o compromisso com a defesa de seu espaço aéreo e a proteção da população, em estreita coordenação com a OTAN e a União Europeia, conforme reiterou o ministro da Defesa.