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O chefe da delegação da Ucrânia responsável pelo plano de paz do país, Andriy Yermak, renunciou ao cargo na sexta-feira (28) após uma operação policial em seu apartamento. Yermak, que também atuava como principal assessor do presidente Volodymyr Zelensky, apresentou sua renúncia poucas horas depois de investigadores anticorrupção ucranianos vasculharem sua residência nas primeiras horas da manhã.
Em declaração à imprensa internacional, Yermak afirmou: “O NABU e o SAP realizaram a busca em meu apartamento por volta das 6h. Isso aconteceu após uma reunião em Genebra e na véspera de um encontro nos Estados Unidos. E imediatamente depois da minha declaração de que não abriríamos mão de nossos territórios.”
Autoridades ucranianas disseram que a investigação apura desvios de quase US$ 100 milhões.
O presidente Zelensky comentou que a renúncia de Yermak visa manter a confiança do público ucraniano enquanto o país atravessa uma fase delicada das negociações de paz com os Estados Unidos para encerrar a guerra com a Rússia.
“Sou grato a Andriy porque a posição da Ucrânia nas negociações sempre foi apresentada de forma correta e patriótica. Mas quero que não haja rumores ou especulações”, disse Zelensky. “Quando toda a atenção está voltada à diplomacia e à defesa em meio à guerra, é necessário ter força interna.”
Após a renúncia, Zelensky já reformulou a equipe de negociação com os Estados Unidos. Rustem Umerov, secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, permanece na equipe. Segundo autoridades americanas, Umerov tentou convencer o enviado especial presidencial dos EUA, Steve Witkoff, de que a Ucrânia aceitaria um plano de paz de 28 pontos fortemente favorável à Rússia — proposta que posteriormente foi rejeitada por Zelensky.
Umerov também teria incluído no plano uma cláusula que isentaria a Ucrânia de qualquer responsabilidade por possíveis casos de corrupção envolvendo a ajuda americana, sugerindo uma anistia bilateral para atos cometidos durante a guerra, incluindo crimes de guerra russos amplamente documentados.
Autoridades dos EUA consideraram a proposta suspeita. “O ponto 26 concedia anistia a todas as partes, ou seja, Rússia e Ucrânia. Isso não era ideia dos Estados Unidos; os ucranianos inseriram essa cláusula”, afirmou um funcionário americano.
Segundo o governo americano, a proposta dos EUA previa que a Ucrânia realizasse auditoria completa de toda a ajuda recebida e criasse mecanismos legais para recuperar irregularidades e punir beneficiários ilegais da guerra — algo que foi rejeitado pela equipe ucraniana, que preferiu conceder anistia a ambos os lados.
Umerov estava nos Estados Unidos para se encontrar com o diretor do FBI, Kash Patel, antes da reunião com Witkoff. O conteúdo dessas conversas não pôde ser confirmado, e o FBI não quis comentar o caso.