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Autoridades dos Estados Unidos emitiram um alerta interno às forças policiais do país advertindo que o Irã pode estar tentando ativar agentes clandestinos posicionados fora de seu território. O documento, obtido pela rede ABC News, cita um “análise preliminar de sinais” que identificou uma transmissão codificada de provável origem iraniana retransmitida para vários países após 28 de fevereiro — data em que o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, teria morrido durante bombardeios realizados na chamada Operação Fúria Épica, conduzida por Estados Unidos e Israel.
Questionado sobre o relatório durante uma coletiva de imprensa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo acompanha de perto possíveis tentativas de infiltração. “Eles tentam isso há muito tempo. Estamos muito atentos e temos informações de inteligência bastante precisas. Sabemos de muitas coisas ruins que aconteceram. Muitas pessoas entraram durante o período de fronteiras abertas de Biden, mas nós as temos sob controle”, declarou.
De acordo com o alerta, a transmissão interceptada estava criptografada e aparentemente destinada a “destinatários clandestinos” que possuiriam a chave necessária para decifrar o conteúdo. As autoridades avaliam que a mensagem poderia ter como objetivo ativar ou transmitir instruções a agentes adormecidos posicionados previamente fora do Irã.
O método de comunicação chamou atenção das agências de segurança. Segundo o documento, a mensagem foi transmitida por meio de uma estação de rádio analógica com capacidade de retransmissão internacional — um sistema que evita deliberadamente o uso da internet e das redes de telefonia móvel. A escolha desse tipo de tecnologia pode indicar o uso por operativos treinados para se comunicar sem deixar rastros digitais.
Apesar da preocupação, o alerta também destaca limitações na análise. O documento não identifica países específicos que poderiam ter recebido a mensagem nem vincula a transmissão a uma ameaça operacional concreta. “Ainda não é possível determinar o conteúdo exato dessas transmissões, mas o surgimento repentino de uma nova estação com características de retransmissão internacional justifica vigilância reforçada”, diz o relatório citado pela ABC News.
Com base na orientação federal, agências de segurança foram instruídas a intensificar o monitoramento de atividades suspeitas em frequências de rádio e a ativar protocolos preventivos padrão.
A interceptação ocorre em um momento de forte tensão entre Washington e Teerã. Desde o início dos bombardeios conjuntos contra alvos iranianos, o diretor do FBI, Kash Patel, determinou que equipes de contraterrorismo e inteligência da agência permanecessem em estado de alerta máximo. Procurado pela revista Newsweek, o FBI não comentou o caso.
Especialistas apontam que o temor de células iranianas atuando no Ocidente não é novo. Ao longo de décadas, a República Islâmica construiu uma rede de operações externas por meio da Força Quds — braço da Guarda Revolucionária responsável por ações no exterior — e da Unidade 910 do Hezbollah, dedicada a operações clandestinas fora do Oriente Médio.
Em 2017, Ali Kourani, morador de Nova York, admitiu ao FBI ser integrante dessa unidade e revelou ter realizado reconhecimento de possíveis alvos na cidade. Outro suspeito ligado à mesma rede foi preso em Nova Jersey em 2023. Um estudo da Universidade George Washington, publicado em 2022, também apontou indícios de maior atividade do Hezbollah em estados como Michigan, Nova York, Califórnia e Carolina do Norte.
Analistas ouvidos por veículos norte-americanos afirmam que o atual cenário pode ser diferente de episódios anteriores devido às perdas acumuladas pelo Irã nas últimas semanas. Entre elas estariam a morte de Khamenei, o enfraquecimento de grupos aliados na região — como Hezbollah, Hamas e milícias iraquianas — e a redução da capacidade de dissuasão militar do país.
Segundo ex-oficiais do FBI, esse enfraquecimento poderia levar a liderança iraniana remanescente a recorrer a ações de retaliação assimétrica, utilizando redes clandestinas no exterior como forma de resposta.
Apesar das preocupações, autoridades norte-americanas ressaltam que o alerta não significa que haja uma ameaça iminente confirmada. Ainda assim, a interceptação de uma transmissão codificada de provável origem iraniana, enviada a diversos países em meio ao agravamento do conflito, indica que algum nível da cadeia de comando em Teerã pode ter tentado se comunicar com operativos no exterior.
Se essa comunicação resultou em ordens concretas — ou se existem agentes prontos para agir — é algo que a inteligência dos Estados Unidos ainda tenta determinar.