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A Força Revolucionária Islâmica do Irã anunciou na quarta-feira (22) a apreensão de dois navios porta-contêineres no estreito de Ormuz e a condução das embarcações para a costa iraniana. O episódio ocorreu em meio a uma série de ataques contra embarcações na mesma região estratégica, horas após o anúncio dos Estados Unidos sobre a prorrogação indefinida de um cessar-fogo com o Irã.
Em comunicado, a corporação militar afirmou que os navios MSC Francesca e Epaminodes teriam violado regras de navegação ao manipular seus sistemas de rastreamento, o que teria colocado em risco a segurança marítima. Segundo o Irã, qualquer ameaça à estabilidade no estreito de Ormuz é considerada uma “linha vermelha”.
O estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás natural.
Ainda não está claro se os dois navios citados são os mesmos envolvidos em relatos de ataques registrados na região pela Agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO).
Em outro incidente, um navio com bandeira da Libéria, operado por uma empresa grega, foi atingido por disparos e granadas propulsadas por foguetes ao nordeste de Omã. O ataque danificou a ponte de comando da embarcação. De acordo com o capitão, uma lancha armada da Guarda Revolucionária Iraniana se aproximou do navio sem realizar contato por rádio.
Outros dois cargueiros — um com bandeira do Panamá e outro da Libéria — também foram atingidos por tiros a cerca de oito milhas náuticas a oeste do Irã. Apesar do ataque, não houve danos graves e as tripulações estão seguras.
Os episódios acontecem em um momento de forte tensão diplomática. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a extensão indefinida do cessar-fogo com o Irã, que expiraria nesta quarta-feira, mas afirmou que o bloqueio aos portos iranianos será mantido. Teerã, por sua vez, não reconheceu oficialmente a extensão e exige o fim do bloqueio antes de retomar negociações.
Um diplomata iraniano afirmou que as conversas não serão retomadas enquanto as sanções e restrições continuarem. Já o representante iraniano no Egito, Mojtaba Ferdousi Pour, declarou que nenhuma delegação viajará ao Paquistão — onde ocorreram rodadas anteriores de negociação — sob as condições atuais.
Desde o início do conflito em 28 de fevereiro, após ataques aéreos de Estados Unidos e Israel contra o Irã, já foram registrados mais de 30 ataques a embarcações na região. O estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial em tempos normais, segue sob forte tensão e restrições.
No mercado internacional, o preço do petróleo Brent ultrapassou US$ 98 por barril, acumulando alta de cerca de 35% desde o início do conflito.
O balanço humano da guerra também continua crescendo. Autoridades iranianas afirmam que pelo menos 3.375 pessoas morreram no país desde o início dos confrontos. No Líbano, o número de mortos passa de 2.290. Israel registrou 23 mortes de civis e 15 soldados em operações no Líbano, enquanto 13 militares dos Estados Unidos morreram em diferentes pontos da região.






















































