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O cientista e empresário Craig Venter morreu nesta quarta-feira (29) em San Diego, Califórnia, aos 79 anos. A informação foi divulgada pelo seu instituto de pesquisa. A causa da morte foi “efeitos colaterais inesperados derivados do tratamento de um câncer diagnosticado recentemente”.
Venter foi uma das figuras mais influentes e controversas da ciência nas últimas décadas. Ele liderou a corrida privada para decifrar o genoma humano e, anos depois, anunciou a criação da primeira forma de vida controlada por um genoma projetado digitalmente em laboratório.
A corrida pelo genoma humano
Em maio de 1998, Venter anunciou que sua empresa, a Celera Genomics, terminaria de decifrar o genoma humano antes do projeto público financiado por seis países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Japão e China.
A comunidade científica ficou em choque. Sua estratégia era diferente: ele usava o método chamado “shotgun” – cortar o DNA em milhares de fragmentos pequenos, ler cada um separadamente e depois montar o quebra-cabeça.
Na prática, no entanto, não hou exatamente uma competição. Especialistas afirmam que os dois projetos se complementaram e colaboraram. O resultado foi histórico: em 15 de fevereiro de 2001, o consórcio público publicou o genoma na revista Nature; um dia depois, a Celera publicou o seu na revista Science.
Um detalhe diz muito sobre Venter: seu próprio DNA foi a principal fonte usada para construir o genoma da Celera.
Criar vida em laboratório
Venter nunca parou. Em 2010, sua equipe conseguiu um feito inédito: construiu do zero o genoma completo de uma bactéria, fabricou-o com componentes químicos a partir de um arquivo de computador, introduziu-o em uma célula e fez com que essa célula vivesse e se reproduzisse.
A bactéria, chamada Mycoplasma mycoides JCVI-syn1.0, foi a primeira forma de vida controlada por um genoma projetado digitalmente. O campo que se abriu com esse experimento é chamado de “biologia sintética”, com aplicações hoje em medicina, energia e alimentação.
Venter costumava dizer:
“Um médico pode salvar centenas de vidas em toda sua carreira. Um pesquisador pode salvar o mundo inteiro.”
Expedições pelos oceanos
Venter também liderou a expedição Sorcerer II, em que sua equipe percorreu os oceanos do planeta para analisar o DNA de milhões de micro-organismos. O resultado foi a descoberta de milhões de genes desconhecidos e uma compreensão mais profunda da vida microscópica que sustenta os ecossistemas marinhos.
Último projeto
Apenas três meses antes de morrer, em janeiro de 2026, Venter lançou sua última aposta: a empresa Diploid Genomics, que combina inteligência artificial, sequenciamento genômico e imagens médicas para tornar os diagnósticos de doenças complexas mais precisos e personalizados.
Quem foi Craig Venter
| Item | Informação |
|---|---|
| Nascimento | 14 de outubro de 1946, em Salt Lake City, Utah (EUA) |
| Morte | 29 de abril de 2026, San Diego, Califórnia |
| Formação | Estudou na Universidade da Califórnia em San Diego (graduação e doutorado em 6 anos) |
| Carreira | Trabalhou nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), fundou o TIGR e a Celera Genomics |
| Maiores feitos | Decifrou o genoma humano; criou a primeira vida sintética em laboratório |
O que disseram os especialistas
Lluís Montoliu, pesquisador do Centro Nacional de Biotecnologia da Espanha, descreveu Venter com “um dos cientistas mais influentes, veementes, agressivos e ambiciosos” de sua época.
Segundo Montoliu, Venter merece ser lembrado “não por seus frequentes posicionamentos personalistas, mas por suas contribuições”: ter demonstrado que os seres humanos são a primeira espécie capaz de ler e interpretar seu próprio genoma.