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O diplomata Celso Amorim, principal assessor de política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou duramente as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, Amorim classificou a ameaça como uma tentativa de interferência nos assuntos internos do Brasil e afirmou que o gesto reforça a necessidade de diversificar parcerias internacionais.
“Nem mesmo nos tempos coloniais vimos algo assim. Nem a União Soviética teria feito algo desse tipo”, declarou Amorim, sugerindo que Trump tenta influenciar a política brasileira em favor de seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Trump não tem amigos nem interesses, só vontades”, disparou.
Segundo o assessor, a retórica agressiva do presidente americano terá o efeito contrário ao desejado: “Esses ataques estão reforçando nossas relações com os BRICS, porque queremos ter relações diversificadas e não depender de um único país”. Ele destacou ainda o interesse brasileiro em fortalecer laços com a Europa, Ásia e América do Sul.
Nesse contexto, Amorim defendeu a ratificação urgente do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, argumentando que o tratado não apenas traria benefícios econômicos imediatos, mas também ajudaria a equilibrar o cenário internacional diante da guerra comercial.
O assessor revelou ainda que o Canadá demonstrou interesse em negociar um acordo de livre comércio com o Brasil e que, no último ano do governo Lula, a diplomacia brasileira deve intensificar os esforços para aprofundar a integração regional na América do Sul. “O subcontinente negocia menos entre si do que com outras partes do mundo, e isso precisa mudar”, pontuou.
Trump voltou aos holofotes neste mês ao prometer a imposição de tarifas contra o Brasil e ao exigir o fim do julgamento de Bolsonaro, que responde por tentativa de golpe de Estado. As declarações foram vistas como uma tentativa de pressão política sobre o governo brasileiro.
Amorim, no entanto, descartou que o Brasil deseje favorecer a China na disputa com os EUA. Apesar de o país asiático ser o maior parceiro comercial do Brasil, o assessor afirmou que o governo Lula busca equilíbrio nas relações internacionais. “Não é nossa intenção que a China vença essa disputa. O BRICS não é um grupo ideológico”, explicou.
Encerrando a entrevista, Amorim reforçou sua visão pragmática da política externa: “Os países não têm amigos, somente interesses. Trump não tinha nem amigos, nem interesses, só desejos. Uma ilustração de poder absoluto”, afirmou.