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A recente aprovação da leucovorina pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) para tratar sintomas de autismo associados à deficiência cerebral de folato (CFD) reacendeu o debate sobre um medicamento conhecido por seu uso em oncologia. A decisão, no entanto, veio acompanhada de advertências de que a evidência científica ainda é insuficiente para considerar o fármaco uma solução definitiva.
O tema ganhou notoriedade após o presidente Donald Trump fazer declarações polêmicas sobre o uso do medicamento, gerando reações de especialistas e organismos médicos.
O que é a leucovorina e para que serve?
A leucovorina, também chamada de ácido folínico, é uma forma ativa da vitamina B9 (ácido fólico). Ela é usada principalmente para reduzir os efeitos colaterais de quimioterapias. Segundo a Medline Plus, site da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, o medicamento protege as células saudáveis dos efeitos tóxicos do metotrexato, um potente fármaco quimioterapêutico.
Suas principais indicações clínicas incluem a prevenção e o tratamento de reações adversas do metotrexato, além de ser utilizada no tratamento de certas formas de anemia. A Mayo Clinic também aponta seu uso, em conjunto com fluorouracilo, no tratamento de câncer de cólon.
Leucovorina e autismo: a controvérsia
A FDA autorizou formalmente o uso da leucovorina em pacientes pediátricos com deficiência cerebral de folato, especificando que o medicamento “pode melhorar sintomas associados com a deficiência cerebral de folato, entidade reportada em pacientes com sintomas neuropsiquiátricos, incluídas características autistas”.
A decisão foi precedida por declarações públicas de Trump, que relacionou a leucovorina ao tratamento geral do autismo, uma afirmação sem respaldo científico. O Huffington Post informou que as evidências clínicas se limitam a poucos e pequenos estudos, com resultados “muito, muito fracos”, segundo o psiquiatra David Mandell, da Universidade da Pensilvânia.
A Autism Science Foundation, assim como personalidades da FDA, dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e dos Centros de Serviços de Medicare e Medicaid, ressaltaram que, embora o medicamento possa ser promissor para um pequeno grupo de pacientes, os dados atuais “são limitados e é necessária mais pesquisa”.
Aviso sobre o uso e debate público
A leucovorina está disponível em comprimidos, soluções e pó, com administração oral ou injetável, sempre sob prescrição médica. A Medline Plus e a Mayo Clinic alertam que o medicamento não é recomendado para anemia por deficiência de vitamina B12 e pode causar efeitos colaterais como diarreia, convulsões e reações alérgicas. Em crianças, a frequência de convulsões pode aumentar.
O debate público sobre a leucovorina e o autismo surge em um contexto de sensibilidade política, especialmente após as declarações de Trump, que também culpou o paracetamol pelo aumento de casos de autismo, uma tese que o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) e a Agência Reguladora de Produtos Sanitários do Reino Unido classificaram como sem evidência robusta.
Especialistas reforçam que qualquer tratamento deve ser realizado sob supervisão médica, alertando para os sérios riscos da automedicação.