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Um novo estudo da Universidade Penn State, nos Estados Unidos, sugere que hábitos formados ainda nos primeiros meses de vida podem aumentar significativamente o risco de obesidade, diabetes e doenças cardíacas ao longo da vida. A pesquisa analisou cerca de 150 mulheres e seus bebês quando os pequenos tinham dois e seis meses de idade.
Os pesquisadores aplicaram questionários para entender a rotina diária das famílias, incluindo frequência de alimentação, horário de sono, tempo de brincadeira e até o comportamento dos pais durante essas atividades. O resultado acendeu um alerta: nove comportamentos relacionados à alimentação, ao sono e ao tempo de brincadeira adotados aos dois meses estavam associados a um índice de massa corporal (IMC) mais alto aos seis meses.
Entre os hábitos considerados prejudiciais estavam:
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Uso de mamadeiras maiores do que o recomendado;
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Alimentação excessiva durante a noite;
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Bebês indo dormir após as 20h;
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Pais utilizando celular ou assistindo TV durante o momento de brincar;
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Pouco tempo de atividade física ou de “tummy time” (quando o bebê fica de bruços para fortalecer a musculatura).
Segundo os pesquisadores, embora muitos bebês percam parte da gordura acumulada ao longo do crescimento, o ganho excessivo de peso nos primeiros seis meses pode comprometer o metabolismo, dificultando a queima calórica e favorecendo o aumento do apetite. Isso cria um cenário que pode acompanhar a criança até a vida adulta.
A líder do estudo, Yinging Ma, pesquisadora e doutoranda no Centro de Pesquisa em Saúde Infantil da Penn State, reforça a importância de intervir cedo:
“Com apenas dois meses de vida, já conseguimos observar padrões de alimentação, sono e brincadeira que podem influenciar a trajetória de crescimento da criança. É fundamental identificar esses hábitos precocemente para apoiar as famílias e evitar o ganho excessivo de peso.”
Perfil das famílias analisadas
O estudo, publicado no periódico JAMA Network Open, acompanhou 143 mães atendidas pelo sistema de saúde Geisinger, na Pensilvânia, e inscritas no programa federal WIC, voltado ao apoio nutricional de mulheres e crianças.
Entre as participantes:
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idade média das mães: 26 anos;
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70% se identificavam como brancas;
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58% viviam com renda inferior a US$ 25 mil ao ano;
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73% dos bebês eram alimentados exclusivamente com fórmula aos dois meses.
As medidas de crescimento foram comparadas entre os dois períodos avaliados.
O que mais influenciou no ganho de peso
Das 12 rotinas analisadas, 9 foram associadas ao aumento de IMC e da relação peso-altura aos seis meses:
Alimentação
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mamadeiras grandes demais para a idade;
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refeições noturnas muito frequentes;
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interpretação exagerada do choro como fome.
Sono
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horário de dormir após 20h;
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mais de duas despertares por noite;
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bebê colocado no berço já dormindo (e não sonolento);
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televisão ligada no ambiente durante o sono.
Brincadeira
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pouco tempo de atividade física;
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pais distraídos com celular ou TV;
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pouco “tummy time”.
De acordo com os autores, superalimentação e sedentarismo precoce contribuem para o acúmulo de gordura, enquanto noites mal dormidas aumentam o hormônio grelina, associado ao apetite.
Consequências a longo prazo
A obesidade infantil é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, que continuam sendo a principal causa de morte nos EUA, com cerca de 1 milhão de óbitos por ano.
Os pesquisadores agora planejam ampliar o estudo para famílias de outras faixas de renda e perfis sociais.
A autora sênior do estudo, Jennifer Savage Williams, destacou:
“Com o tempo limitado nas consultas pediátricas e nutricionais, é fundamental ajudar os profissionais de saúde a focar no que realmente importa para cada família.”