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Um estudo de longo prazo apoiado pelo governo dos Estados Unidos aponta que um tipo específico de treinamento cerebral pode reduzir o risco de demência em idosos, superando métodos tradicionais como jogos de memória e palavras cruzadas.
A pesquisa foi conduzida com apoio do Instituto Nacional do Envelhecimento (NIH, na sigla em inglês) e acompanhou mais de 2.800 voluntários, com média de 74 anos, ao longo de duas décadas. Todos os participantes viviam de forma independente e não apresentavam sintomas de comprometimento cognitivo no início do estudo, iniciado em 1998. A maioria era composta por mulheres, grupo que apresenta maior risco de desenvolver demência ao longo da vida.
Os participantes foram divididos em quatro grupos. Três deles receberam treinamentos cognitivos distintos: memória, raciocínio lógico e velocidade de processamento visual. O quarto grupo não passou por qualquer intervenção e serviu como controle.
O treinamento ocorreu entre cinco e seis semanas, com sessões de 60 a 75 minutos, realizadas duas vezes por semana. Parte dos participantes retornou para sessões de reforço um ano depois e novamente ao final do terceiro ano, totalizando cerca de 22 horas e meia de atividades.
Redução de 25% nos casos
Vinte anos após o início do estudo, os pesquisadores avaliaram os resultados e constataram que apenas o grupo submetido ao treinamento de velocidade de processamento visual apresentou benefício significativo. Entre esses participantes, houve redução de 25% nos diagnósticos de demência em comparação ao grupo de controle.
O efeito protetor foi observado exclusivamente entre aqueles que completaram tanto o treinamento inicial quanto as sessões de reforço.
Segundo o diretor do NIH, Dr. Jay Bhattacharya, o estudo demonstra que intervenções relativamente curtas podem ter impacto duradouro na saúde mental. “Treinamentos simples, realizados por apenas algumas semanas, podem ajudar as pessoas a permanecerem mentalmente saudáveis por anos”, afirmou.
Como funciona o treinamento
O programa de velocidade de processamento visual foi desenvolvido por professores dos estados do Alabama e Kentucky e posteriormente comercializado pela empresa BrainHQ. Atualmente, o método é conhecido como “Double Decision” e possui versão de teste online.
Diferentemente dos treinamentos focados em memorização ou resolução lenta de problemas, o exercício de velocidade exige respostas rápidas e automáticas a estímulos visuais, aumentando gradualmente o nível de dificuldade conforme o desempenho do participante melhora.
Os pesquisadores ainda investigam por que esse modelo apresentou resultados superiores. Uma das hipóteses é que o estímulo constante à rapidez e à atenção dividida fortaleça circuitos cerebrais ligados à agilidade cognitiva.
Impacto na saúde pública
A demência é um termo que engloba diversas condições neurológicas que comprometem progressivamente memória, raciocínio e capacidade de tomada de decisão. A forma mais comum é a doença de Alzheimer.
Nos Estados Unidos, mais de 6 milhões de pessoas vivem atualmente com demência, condição associada a mais de 100 mil mortes por ano no país. Especialistas estimam que 42% dos americanos com mais de 55 anos poderão desenvolver algum tipo de demência ao longo da vida.
Para o pesquisador George Rebok, um dos responsáveis pelo estudo, os resultados reforçam a importância de desenvolver intervenções cognitivas voltadas especialmente para habilidades de processamento visual e atenção.