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A Justiça de Minas Gerais autorizou a quebra de sigilo dos dados telefônicos e telemáticos de Renê da Silva Nogueira Júnior, empresário acusado de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes com um tiro enquanto a vítima trabalhava na coleta de lixo em Belo Horizonte. A decisão foi proferida na noite de quinta-feira (14) e atende a pedido da Polícia Civil.
Segundo a Justiça, o objetivo é verificar registros de chamadas, conversas por aplicativos, localização e arquivos armazenados na nuvem que possam ajudar a esclarecer o caso. Operadoras e empresas de tecnologia intimadas têm até 15 dias para enviar as informações à polícia.
A decisão também autorizou perícia nas armas registradas em nome da esposa do empresário, a delegada Ana Paula Lamego Balbino. Renê nega o crime e afirma que os armamentos encontrados em sua residência pertencem à mulher. Ele não possui autorização para posse ou porte de armas.
O empresário teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Leonardo Damasceno após audiência de custódia na quarta-feira (13). Em vídeo, é possível ver Renê com semblante abatido ao ser informado da continuidade da detenção. “[Tendo em vista] todo esse contexto, gravidade concreta dos fatos, reiteração delitiva do agente, eu acolho integralmente o parecer ministerial e converto seu flagrante em prisão preventiva”, disse o magistrado.
Renê foi preso na segunda-feira (11), horas após o crime, em uma academia de Belo Horizonte. A defesa havia solicitado o relaxamento da prisão, argumentando que não havia indícios suficientes e destacando que o empresário é réu primário, possui bons antecedentes e residência fixa. O pedido para manter o caso sob sigilo também não foi atendido.
O juiz destacou elementos que reforçam a manutenção da prisão, como reconhecimento de testemunhas, imagens de câmeras de segurança que flagraram o carro do suspeito próximo ao local do crime, além do histórico de violência de Renê, incluindo agressões a ex-companheiras e um atropelamento que resultou em morte. “[Ele] foi pra academia… comete um crime e vai treinar numa academia? Situação que merece apuração sobre a personalidade do agente”, afirmou Damasceno.
A perícia das armas encontradas na casa do casal já foi autorizada, e o inquérito segue em andamento.