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Uma investigação da Polícia Federal (PF), baseada em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, mantinha uma relação de proximidade com o desembargador federal Macário Júdice Neto. As conversas interceptadas mostram “trocas de carinho” e declarações de lealdade, levantando suspeitas de favorecimento e tentativa de obstrução de investigações.
Segundo o relatório da PF, o vínculo entre os dois foi identificado por meio de mensagens que expressavam confiança e afeto. Em outubro de 2025, o desembargador enviou a Bacellar a mensagem: “Te amo”. O presidente da Alerj respondeu: “Deus te abençoe irmão. Sou teu fã”, ao que Macário replicou: “Recíproco”. Em outra troca, em novembro, Bacellar reforçou a relação afirmando: “Vc é irmão de vida… Vc eu levo pro caixão meu irmão nunca duvide disso”, e recebeu do magistrado o agradecimento: “Obg pela confiança”.
A investigação aponta ainda que essa amizade servia para a troca de favores. Um exemplo citado no relatório é o pedido de ingressos para um jogo do Flamengo, que Bacellar se comprometeu a conseguir “nem que eu arrebente o portão darei um jeito”. Em outra mensagem, o deputado reafirmou sua disposição em ajudar: “Sempre que precisar tô aqui pra qq parada, em especial na hora ruim”.
Para o STF e a PF, esses diálogos indicam não apenas amizade, mas um vínculo suficientemente forte para sustentar a suspeita de que ambos atuavam em alinhamento para proteger aliados políticos e do crime organizado, além de obstruir investigações.
Bacellar foi preso em 3 de dezembro na Superintendência da PF no Rio de Janeiro. Durante a operação, agentes apreenderam R$ 90 mil em dinheiro no carro do parlamentar. No dia 8 de dezembro, o plenário da Alerj votou pela revogação da prisão, com 42 votos favoráveis e 21 contrários. No dia seguinte, o ministro Alexandre de Moraes substituiu a detenção por medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, que já havia sido colocada enquanto Bacellar ainda estava na PF, e afastamento da presidência da Assembleia.
Outras medidas determinadas pelo STF incluem: recolhimento domiciliar noturno e integral nos fins de semana e feriados; proibição de comunicação com outros investigados; entrega de passaportes; e suspensão do porte de arma de fogo.
No dia 10 de dezembro, Bacellar se licenciou temporariamente do cargo na Alerj por 10 dias para tratar de assuntos de caráter particular. A tornozeleira eletrônica permanece ativa, garantindo o monitoramento do parlamentar durante o período de afastamento.
O que diz a defesa do desembargador:
“A defesa do Desembargador Macario Judice registra, desde logo, que Sua Excelência o Ministro Alexandre de Moraes foi induzido a erro ao determinar a medida extrema. Ressalta, ainda, que não foi disponibilizada cópia da decisão que decretou sua prisão, obstando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. A defesa apresentará os devidos esclarecimentos nos autos e requererá a sua imediata soltura”.