Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
O momento mais arriscado da missão Artemis II, que dura 10 dias, está se aproximando: a reentrada da cápsula Orion na atmosfera terrestre, quando a nave será submetida a temperaturas de até 5.000 °F (quase metade da temperatura da superfície do Sol) enquanto mergulha a 25.000 mph (cerca de 40.000 km/h).
A sobrevivência da tripulação dependerá do escudo térmico da Orion, um domo de 5 metros de diâmetro localizado na base da cápsula, projetado para se desgastar de forma controlada à medida que a nave enfrenta o calor extremo da reentrada.
No entanto, o escudo térmico já apresentou problemas no passado. Durante a missão não tripulada Artemis I, em 2022, o material do escudo, chamado Avcoat, apresentou mais de 100 rachaduras e abrasões, onde o revestimento “se desprendeu inesperadamente”. Uma avaliação de 2024 da NASA alertou que esse comportamento inesperado poderia comprometer a proteção da cápsula e da tripulação em missões futuras.
O incidente remete ao desastre da nave Columbia, em 2003, quando uma fratura no escudo térmico provocou a morte de sete astronautas durante a reentrada na Terra. Fotos da reentrada da Artemis I mostraram o escudo coberto de marcas, indicando que pedaços do material se soltaram durante a descida. Posteriormente, a NASA concluiu que o problema ocorreu porque o Avcoat foi aplicado de forma muito densa, impedindo a liberação de gases quentes e causando rachaduras.
Para a Artemis II, a fabricante da cápsula, Lockheed Martin, ajustou a aplicação do Avcoat para permitir que os gases escapem durante o aquecimento intenso. Blaine Brown, diretor de sistemas da Lockheed Martin, explicou que as modificações tornam o escudo seguro para o voo tripulado. “Apoiamos a decisão da NASA de lançar a Artemis II com o escudo atual e estamos comprometidos em garantir que a Orion lance e retorne com segurança nesta missão histórica à Lua”, afirmou.
O Avcoat já havia sido usado nos escudos das missões Apollo, mas na época era aplicado manualmente em uma estrutura semelhante a um favo de mel, enquanto os escudos da Artemis são montados a partir de cerca de 200 blocos de Avcoat.
Apesar das garantias sobre a integridade do novo design, a reentrada desta sexta-feira será a primeira vez que o escudo será testado completamente em voo tripulado.
A missão está programada para iniciar a entrada na atmosfera terrestre às 7h53 ET, com splashdown previsto para as 20h07 ET.
Desde 1961, dezenas de naves tripuladas retornaram à Terra com sucesso, sendo a Columbia a única perda devido a falhas no escudo térmico. Acredita-se que o desastre tenha sido causado por um pedaço de detrito que atingiu a asa da nave durante o lançamento, rompendo uma placa térmica e permitindo que gases quentes penetrassem, destruindo a Columbia durante a reentrada.
Além da Columbia, outros acidentes em reentrada ocorreram por motivos distintos: o cosmonauta russo Vladimir Komarov, da Soyuz 1, morreu em 1967 devido a uma falha elétrica que impediu a abertura de seus paraquedas, e não por falha no escudo térmico.