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Durante a missão Artemis II, uma astronauta chamou atenção nas redes sociais ao aparecer em um vídeo diretamente da Estação Espacial Internacional (ISS), interagindo com água em condições de microgravidade. As imagens viralizaram e já foram vistas por milhões de usuários.
No registro, a astronauta lança pequenas esferas de água no ar e as captura com a boca, em uma demonstração que mais parece um truque de entretenimento do que uma atividade científica. A cena gerou curiosidade e até brincadeiras nas redes sociais, mas a realidade a bordo da ISS é bem diferente.
Apesar do aspecto lúdico do vídeo, o uso da água na estação espacial segue protocolos rígidos de segurança e controle. Na microgravidade, o líquido não se comporta como na Terra: ele flutua livremente, podendo causar riscos aos equipamentos e aos próprios astronautas.
No dia a dia da Estação Espacial Internacional, a hidratação é feita por meio de sistemas especialmente desenvolvidos pela NASA. Em vez de copos ou garrafas tradicionais, os astronautas utilizam bolsas flexíveis com válvulas e canudos adaptados para evitar vazamentos e dispersão do líquido na cabine.
Segundo o Centro Espacial Johnson da NASA, a água é armazenada nesses recipientes selados e consumida por meio de dispositivos que impedem que o líquido escape ou flutue pelo ambiente. Assim, cada gota é controlada para evitar danos aos sistemas eletrônicos e aos equipamentos da estação.
Em alguns casos, são testados protótipos experimentais, como copos projetados para gravidade zero, que utilizam princípios como a tensão superficial para direcionar o líquido até a boca. No entanto, essas tecnologias ainda não substituem o sistema tradicional de bolsas com válvulas.
A NASA reforça que não é possível “brincar” com água solta no espaço de forma livre. Gotículas fora de controle podem atingir filtros de ar, painéis eletrônicos ou até serem inaladas pelos tripulantes, representando riscos operacionais e à saúde.
A água utilizada na ISS também é resultado de um avançado sistema de reciclagem. O Environmental Control and Life Support System (ECLSS) recupera até 98% da água usada a bordo, reaproveitando até mesmo umidade do ar, suor e urina após processos de purificação.
Segundo especialistas da NASA, a água reciclada passa por rigorosos processos de filtragem e purificação, atingindo níveis de qualidade comparáveis — ou até superiores — aos de muitas cidades na Terra.
Cada astronauta tem acesso a cerca de quatro litros de água por dia, destinados ao consumo, preparo de alimentos e higiene pessoal. Todo o sistema é monitorado constantemente por sensores para garantir segurança e eficiência.
Além disso, agências como a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA) seguem desenvolvendo novas tecnologias para melhorar o uso e o reaproveitamento da água em missões espaciais. Entre os avanços estudados estão membranas de filtragem inspiradas em processos biológicos e sistemas mais eficientes de purificação.
Até mesmo os trajes espaciais contam com reservatórios internos de água, permitindo hidratação durante caminhadas no espaço. O objetivo é garantir acesso seguro ao recurso em qualquer situação, sem comprometer a segurança ou o sucesso das missões.