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O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira (27) que a inflação brasileira deve retornar ao intervalo da meta de 3% (com margem de 1,5% a 4,5%) apenas em 2026. A estimativa foi apresentada no primeiro Relatório de Política Monetária, documento que substitui o antigo Relatório Trimestral de Inflação, seguindo novas diretrizes do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Segundo os dados divulgados, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 5,06% em fevereiro e deve atingir 5,6% em março. O BC reconheceu que a inflação acumulada em 12 meses deve permanecer em torno de 5,5%, acima do intervalo de tolerância da meta.
A autarquia destacou que a inflação no trimestre encerrado em fevereiro ficou 0,32 ponto percentual acima da projeção inicial. Esse desvio foi impulsionado, sobretudo, pelos preços administrados, como combustíveis. A alta da gasolina foi influenciada pelo aumento do etanol anidro e pela elevação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por alguns estados. O setor de alimentação também pressionou os índices, com destaque para a alta nos preços do café e dos alimentos industrializados.
A meta de inflação de 3% foi estabelecida pelo CMN em junho de 2024, com validade de pelo menos 36 meses, ou até meados de 2027. O novo regime determina que um descumprimento ocorrerá se a inflação anualizada permanecer por mais de seis meses fora do intervalo de tolerância. Diferente do modelo anterior, que avaliava a meta com base nos índices acumulados até dezembro, a nova regra exige que o BC publique relatórios trimestrais detalhando os resultados da política monetária e as projeções para o futuro.
Caso a meta seja descumprida, o Banco Central deverá emitir uma nota justificando os motivos e detalhando as medidas adotadas para reverter o cenário. Se a inflação não retornar ao intervalo estabelecido dentro do prazo previsto, uma segunda carta será publicada, informando possíveis ajustes nas medidas ou nos prazos estipulados.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia classificado a meta de 3% como “exigentíssima” e “inimaginável”. Desde a adoção do regime de metas, em 1999, a inflação oficial do Brasil atingiu patamares próximos a esse nível apenas em 2006 (3,14%) e 2017 (2,95%), mantendo-se acima de 4% na maioria dos anos. Com o novo modelo, o Banco Central busca aprimorar a transparência da política monetária e reforçar o compromisso com o controle inflacionário no país.