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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (23) que as decisões sobre a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros estão concentradas na Casa Branca, o que tem dificultado o avanço das negociações.
Segundo Haddad, o governo brasileiro tem mantido contato apenas com a equipe técnica do Tesouro norte-americano, sem interlocução direta com o secretário da pasta, Scott Bessent. “A informação que chega é que o Brasil tem um ponto, que o Brasil tem razão em querer sentar à mesa. [Mas] o tema está muito concentrado na assessoria da Casa Branca, daí a dificuldade maior de entender o movimento de lá”, afirmou.
Já o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, tem conseguido dialogar com alguns secretários do governo do presidente Donald Trump, informou Haddad.
O ministro também anunciou que, nesta quinta-feira (24), a equipe técnica da Fazenda vai apresentar planos de contingência em resposta ao tarifaço. As propostas serão inicialmente avaliadas por ele, por Alckmin e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Na próxima semana, Haddad pretende se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, para discutir as medidas. O conteúdo dos planos, no entanto, não foi detalhado à imprensa.
A nova tarifa dos Estados Unidos está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. Ao justificar a medida, Trump alegou que há uma desvantagem comercial entre os dois países e citou ainda processos enfrentados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro na Justiça, além do que chamou de “guerra contra a liberdade de expressão” promovida pelo Brasil contra redes sociais americanas.
O governo brasileiro tenta reduzir o percentual da tarifa antes de adotar medidas de retaliação. Questionado sobre a possibilidade de recuo por parte dos EUA, Haddad destacou que já houve sinalizações de mudanças em casos semelhantes envolvendo outros países, mas reforçou que o diálogo é essencial.
“Para ter acordo, precisa ter duas partes sentadas à mesa. Não dá para antecipar um movimento que não depende só de nós. O Brasil nunca saiu da mesa de negociações. Em nenhum momento abrimos mão de conversar. Espero que venha acontecer [um acordo]”, concluiu.