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Um estudo inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que 77,8% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estão sujeitas a algum tipo de sobretaxa imposta pelo governo norte-americano. O levantamento acende um alerta sobre os desafios enfrentados pela indústria nacional diante das novas barreiras comerciais aplicadas pelo principal parceiro internacional do setor de transformação brasileiro.
“Esse retrato dá a dimensão do problema enorme que teremos de enfrentar e o quanto vamos precisar avançar nas negociações para reverter essas barreiras”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. Segundo ele, é fundamental que governos e setores produtivos atuem de forma conjunta para enfrentar os impactos das medidas. “Os EUA são os principais parceiros comerciais da indústria. Precisamos encontrar saídas”, destacou.
Tarifas afetam mais de US$ 17 bilhões em exportações
O estudo detalha a aplicação de tarifas por meio de ordens executivas recentes e das medidas da Seção 232 do Trade Expansion Act, que incidem sobre produtos como veículos, autopeças, aço, alumínio e cobre.
Entre os principais pontos estão:
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Tarifa de 10%, vigente desde 2 de abril, que atinge 12,9% do valor exportado (US$ 5,4 bilhões) e 38 produtos;
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Tarifa de 40%, aplicada desde 30 de julho, que afeta 4,3% das exportações (US$ 1,8 bilhão) e 615 itens;
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Tarifas da Seção 232, com alíquotas de 25% e 50%, direcionadas a produtos industriais estratégicos.
O total exportado pelo Brasil em 2024 em produtos afetados por tarifas combinadas chega a US$ 17,5 bilhões, dos quais US$ 12,3 bilhões são da indústria de transformação.
Mais da metade das exportações atingidas estará sujeita a tarifas de 50%, sendo que 45,8% dos embarques impactados são alvos diretos de medidas contra o Brasil. Setores como vestuário, máquinas, têxteis, alimentos, químicos, couro, aço e alumínio estão entre os mais prejudicados.
Por outro lado, 22,2% das exportações seguem isentas de tarifas, com destaque para petróleo e outros produtos da indústria extrativa. O setor de aviação civil também pode se beneficiar de isenções condicionais.
CNI apresenta propostas para mitigar impactos
Diante do cenário, a CNI entregou ao vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, uma lista com oito propostas prioritárias para mitigar os efeitos econômicos das tarifas e preservar a competitividade da indústria nacional.
“As medidas visam mitigar os efeitos econômicos adversos aos setores afetados, preservar a capacidade exportadora das empresas brasileiras e garantir a continuidade das operações internacionais em um cenário de alta imprevisibilidade”, disse Alban.
As propostas incluem:
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Financiamento emergencial via BNDES com juros entre 1% e 4% ao ano para capital de giro;
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Ampliação do prazo cambial de 750 para 1.500 dias em contratos de câmbio;
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Prorrogação de financiamentos para exportação, como PROEX e BNDES-Exim;
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Defesa comercial rápida, com aplicação de direitos antidumping provisórios;
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Suspensão temporária de tributos federais, com pagamento parcelado e sem multas ou juros;
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Devolução imediata de créditos tributários de PIS/Cofins e IPI;
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Ampliação do Reintegra para alíquota de 3% nas exportações;
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Reativação do Programa Seguro-Emprego (PSE), com ajustes para preservar empregos nos setores mais atingidos.
A CNI espera que o governo federal adote rapidamente as medidas sugeridas para enfrentar a crise provocada pelo chamado “tarifaço” norte-americano, que ameaça a presença da indústria brasileira no mercado dos EUA.