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A inflação oficial do Brasil voltou a ganhar força no início do ano e fechou janeiro com taxa anualizada de 4,44%, acima dos 4,26% registrados em dezembro. O dado foi divulgado nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O resultado do mês foi influenciado principalmente por movimentos opostos nos preços da gasolina e da energia elétrica residencial. Enquanto o combustível teve alta de 2,06%, pressionando o índice, a conta de luz recuou 2,73% após a mudança da bandeira tarifária de amarela para verde, o que eliminou a cobrança extra nas faturas.
Entre os nove grupos analisados, Transportes apresentou a maior contribuição para o IPCA de janeiro, com alta de 0,60% e impacto de 0,12 ponto percentual. O avanço foi impulsionado pelo aumento de 2,14% nos combustíveis, com destaque para a gasolina, responsável sozinha por 0,10 ponto percentual do índice. Etanol, óleo diesel e gás veicular também ficaram mais caros no período.
Segundo o IBGE, o reajuste do ICMS sobre a gasolina, em vigor desde 1º de janeiro, teve impacto direto no preço final ao consumidor. Ainda no grupo Transportes, o ônibus urbano subiu 5,14%, refletindo reajustes tarifários em diversas capitais. Em contrapartida, houve queda expressiva nos preços do transporte por aplicativo e das passagens aéreas, que ajudaram a conter uma pressão maior sobre o grupo.
Na outra ponta, o grupo Habitação recuou 0,11%, influenciado principalmente pela redução da energia elétrica residencial, que teve o maior impacto negativo do mês no IPCA. O Vestuário também apresentou queda, de 0,25%.
O gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, destacou que gasolina e energia elétrica residencial têm grande peso na composição do índice, com participações de 5,07% e 4,16%, respectivamente, o que faz com que variações nesses itens tenham efeito relevante no resultado final da inflação.
Outros grupos também contribuíram para a alta de janeiro. Comunicação registrou avanço de 0,82%, puxado pelo aumento nos preços de aparelhos telefônicos e reajustes em planos de TV por assinatura e serviços combinados de telefonia e internet. Saúde e cuidados pessoais subiu 0,70%, com destaque para artigos de higiene pessoal e planos de saúde.
Já o grupo Alimentação e bebidas apresentou desaceleração, passando de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro. A alimentação no domicílio variou apenas 0,10%, influenciada pelas quedas do leite longa vida e do ovo de galinha, apesar das fortes altas do tomate e das carnes.
Entre as regiões pesquisadas, Rio Branco (AC) teve a maior variação mensal, com alta de 0,81%, enquanto Belém (PA) registrou a menor, de 0,16%, impactada pela redução da conta de luz e das passagens aéreas.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos, avançou 0,39% em janeiro e acumulou alta de 4,30% em 12 meses.
A meta oficial de inflação do Brasil é de 3%, com tolerância de até 4,5%. Com isso, o resultado anualizado permanece dentro da banda estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), embora siga próximo do limite superior. No atual governo, a inflação ficou acima do intervalo permitido em 22 dos 37 meses entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025.