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O Irã anunciou que vai avançar no desenvolvimento de seu programa nuclear, incluindo a reativação do enriquecimento de urânio, apesar dos “graves danos” sofridos em suas instalações após bombardeios dos Estados Unidos. A declaração foi feita nesta segunda-feira pelo ministro de Relações Exteriores iraniano, Abás Araqchi, em entrevista à Fox News.
Os ataques norte-americanos, realizados em 22 de junho em apoio à ofensiva israelense, atingiram o centro subterrâneo de enriquecimento de urânio de Fordo e as usinas nucleares de Isfahan e Natanz.
“Sim, os danos são graves, mas, evidentemente, não podemos renunciar ao enriquecimento porque é uma conquista de nossos próprios cientistas”, afirmou Araqchi na entrevista. Ele acrescentou que a continuidade do programa se tornou uma questão de “orgulho nacional” para o país.
Tensão com Washington e Gesto de Abertura
O presidente dos EUA, Donald Trump, havia declarado no último sábado que os ataques “destruíram completamente” as três instalações iranianas e indicou que a Casa Branca tomará novas ações militares caso Teerã retome seu desenvolvimento nuclear. Nesta segunda-feira, após as declarações de Araqchi, Trump reiterou que os danos aos centros de desenvolvimento nuclear foram “muito severos”: “Faremos de novo se for necessário”.
Apesar da postura firme, Araqchi pediu aos Estados Unidos que busquem uma solução negociada para a crise nuclear e expressou abertura a inspeções nas instalações. No entanto, ele reiterou que o Irã não abrirá mão de seu “direito” ao enriquecimento de urânio. “Se o objetivo é assegurar que o Irã nunca tenha armas nucleares, é alcançável. Mas se é privar o Irã de seus direitos, incluído o direito ao enriquecimento, temos dificuldades”, declarou o ministro.
Negociações com Países Europeus e ONU
O chefe da diplomacia iraniana detalhou que, na próxima sexta-feira, ocorrerão conversas em Istambul com os países do E3 (França, Alemanha e Reino Unido) sobre o futuro do programa nuclear iraniano. Até o momento, o Irã teve quatro rodadas de negociações com esses países e cinco com os Estados Unidos, sem progressos substanciais devido às diferenças sobre o enriquecimento de urânio.
Sobre a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (OIEA), Araqchi garantiu que não foi interrompida, mas está pendente de uma “nova modalidade” após a destruição parcial das instalações. As visitas de inspetores da OIEA poderão ser consideradas “caso a caso” pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, esclareceu.
Araqchi também fez questão de esclarecer que as manifestações contra os Estados Unidos não representam ameaças a pessoas, afirmando: “O líder supremo e outros oficiais no Irã sempre disseram que a frase ‘Morte aos Estados Unidos’ significa morte às suas políticas hegemônicas, não ao seu povo”.
Mais cedo nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghaei, detalhou que a delegação iraniana nas negociações com o E3 será composta pelos vice-ministros de Relações Exteriores Majid Takht Ravanchi e Kazem Gharibabadi.
Araqchi havia indicado no domingo que o “foco” da delegação iraniana nessas conversas “será mais forte e firme” do que antes da guerra de 12 dias com Israel. O ministro assegurou que, após o conflito, “o Irã buscará seus direitos com maior força”.
As negociações com o E3 ocorrem após advertências das capitais europeias de que, se não houver avanços até o final de agosto, o mecanismo de snapback seria ativado, levando à reintrodução automática de sanções da ONU contra Teerã. Em resposta, Araqchi enviou cartas ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e ao Conselho de Segurança, denunciando que o E3 “carece de legitimidade legal, política e moral” para invocar os mecanismos do acordo nuclear e a resolução 2231 da ONU, que legalmente apoia o pacto de 2015. Araqchi instou os países europeus a evitar ações que aprofundem as divisões no Conselho de Segurança ou gerem consequências negativas.
Ao longo do ano, o Irã participou de quatro rodadas de conversas com o E3, além de cinco rodadas com os Estados Unidos, sem conseguir progressos devido às divergências sobre o enriquecimento de urânio. Washington exige “zero enriquecimento”, enquanto Teerã insiste em seu direito a um programa nuclear com fins pacíficos.
As conversas foram suspensas durante a guerra de 12 dias entre Irã e Israel, iniciada em 13 de junho com bombardeios israelenses e encerrada em 24 de junho após uma trégua anunciada por Washington, que interveio no conflito atacando as três principais instalações nucleares iranianas.