Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
O Exército de Israel anunciou neste sábado (26) a retomada dos lançamentos aéreos de ajuda humanitária noturna à Faixa de Gaza e a criação de corredores humanitários para facilitar o transporte seguro de comboios da ONU com alimentos e medicamentos. A medida ocorre em meio ao agravamento da crise humanitária no território palestino, marcada por escassez aguda de itens básicos e risco crescente de desnutrição infantil.
De acordo com as Forças de Defesa de Israel (FDI), a primeira remessa incluiu sete paletes com farinha, açúcar e alimentos enlatados fornecidos por organizações internacionais. “Foi realizado um lançamento de ajuda humanitária com paraquedas como parte do esforço para permitir e facilitar a entrada de assistência em Gaza”, publicou o Exército em seu canal oficial no Telegram.
Segundo o comunicado, a operação foi decidida após uma avaliação da situação humanitária na tarde de sábado e faz parte do esforço de Israel para, segundo as FDI, “refutar a falsa alegação de fome deliberada na Faixa de Gaza”. A entrega ocorre em coordenação com entidades internacionais e com o COGAT, órgão vinculado ao Ministério da Defesa israelense responsável pela administração civil nos territórios palestinos.
Além dos lançamentos, o Exército confirmou a reconexão de uma linha elétrica entre Israel e uma usina de dessalinização em Gaza, aumentando a produção diária de água para 20 mil metros cúbicos. As FDI também afirmaram que estão prontas para implementar pausas humanitárias em áreas densamente povoadas, permitindo a movimentação segura de comboios da ONU.
Apesar dessas ações, o Exército destacou que “as operações de combate no enclave continuam” e reforçou que a distribuição de alimentos é responsabilidade das agências humanitárias e da ONU. As FDI negam a existência de fome generalizada e acusam o Hamas de promover uma “campanha falsa” sobre a situação alimentar em Gaza. “É preciso melhorar a eficácia da distribuição e evitar que a ajuda caia nas mãos de grupos armados”, alertou o comunicado.
O COGAT informou que, no sábado, cerca de 600 caminhões aguardavam para ser descarregados por agências internacionais. Israel afirma que não impõe limites ao número de caminhões que entram em Gaza e atribui às organizações humanitárias a responsabilidade por retirar e distribuir os suprimentos nos pontos de entrada.
Em contraponto, o chefe da Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini, criticou a retomada dos lançamentos aéreos, classificando-os como “ineficazes” diante da gravidade da crise. Em publicação na rede X (antigo Twitter), Lazzarini afirmou que “os lançamentos aéreos não acabarão com a fome crescente. São caros, ineficazes e podem até matar civis famintos”. Para ele, o fim da crise humanitária depende de “vontade política” e de uma intervenção em larga escala da ONU, sem restrições.
Na sexta-feira, um representante israelense confirmou à AFP que os lançamentos aéreos serão coordenados com os Emirados Árabes Unidos e a Jordânia. O Reino Unido também anunciou que colaborará com a Jordânia para realizar lançamentos aéreos e evacuar crianças palestinas com necessidades médicas urgentes, segundo o premiê britânico Keir Starmer.
A situação humanitária em Gaza se agravou desde março, com o endurecimento do bloqueio israelense, que resultou em uma escassez severa de alimentos, remédios e outros insumos essenciais. Embora algumas restrições tenham sido aliviadas no fim de maio, organizações internacionais relatam dificuldades contínuas para acessar a população afetada e distribuir ajuda.
O Exército israelense rejeita essas denúncias, alegando que a responsabilidade pela entrega efetiva dos suprimentos cabe às agências da ONU e demais entidades humanitárias. Enquanto isso, Gaza permanece em estado de emergência humanitária crescente.
(Com informações de AFP, EFE e EP)