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A Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira (12) mais de 20 mil páginas de documentos do espólio de Jeffrey Epstein, oferecendo o retrato mais detalhado já conhecido das comunicações do financista antes de sua prisão, em julho de 2019, por tráfico sexual de menores.
Entre os arquivos, três e-mails datados de 2011, 2015 e 2019 divulgados por membros democratas sugerem que o então empresário Donald Trump teria conhecimento mais profundo sobre os comportamentos abusivos de Epstein do que havia admitido anteriormente.
Em um e-mail de 2 de abril de 2011, Epstein escreveu à cúmplice Ghislaine Maxwell: “Quero que você perceba que o cachorro que não latiu é Trump… Virginia passou horas na minha casa com ele, e ele nunca foi mencionado.”
A Casa Branca confirmou que a vítima citada era Virginia Giuffre, que nunca acusou Trump de qualquer irregularidade e que morreu em abril deste ano, em um caso registrado como suicídio.
“Deixe Trump se enforcar sozinho”, escreveu Michael Wolff a Epstein
De acordo com novos e-mails revelados pelo comitê, Epstein teria planejado “deixar Donald Trump se enforcar sozinho” durante a campanha presidencial de 2016.
As mensagens mostram que Epstein mencionava Trump em trocas com Ghislaine Maxwell e o escritor Michael Wolff, autor do livro Fire and Fury, sobre o governo Trump. Wolff teria gravado mais de cem horas de conversas com Epstein entre 2014 e 2019, em um suposto relacionamento de trabalho voltado a projetos literários.
No dia 15 de dezembro de 2015, data de um debate republicano transmitido pela CNN, Wolff enviou um e-mail a Epstein com o assunto “heads up”: “Ouvi dizer que a CNN planeja perguntar a Trump hoje à noite sobre sua relação com você — no ar ou depois do debate.”
Epstein respondeu perguntando se deveria preparar uma resposta para o então candidato. Wolff sugeriu que não: “Acho que você deve deixá-lo se enforcar. Se ele disser que nunca esteve no avião ou na sua casa, isso te dá um capital político valioso.”
Em outro trecho, Wolff acrescentou: “Você pode pendurá-lo de uma forma que gere um benefício positivo para você — ou, se parecer que ele pode vencer, salvá-lo e gerar uma dívida. É possível, claro, que ele diga que Jeffrey é um ótimo cara e vítima do politicamente correto.”
Casa Branca chama a divulgação de “campanha difamatória”
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou a divulgação dos e-mails como “uma campanha difamatória politicamente motivada”, afirmando que os democratas redigiram seletivamente o nome de Virginia Giuffre nos documentos para criar uma falsa narrativa contra Trump.
“Os democratas vazaram seletivamente e-mails para a mídia liberal a fim de criar uma narrativa falsa para difamar o presidente Trump”, declarou Leavitt.
Segundo ela, a “vítima sem nome” citada nos e-mails é Virginia Giuffre, que “reiterou várias vezes que o presidente Trump não estava envolvido em nenhuma irregularidade e que ‘não poderia ter sido mais gentil’ em suas breves interações”.
Giuffre, recrutada por Maxwell em 2000 quando trabalhava como atendente de spa no clube Mar-a-Lago, tinha 16 anos. De acordo com Leavitt, Trump expulsou Epstein do clube em 2007 por comportamento “impróprio com funcionárias”.
Relação entre Epstein e Trump
Em outro e-mail, de janeiro de 2019, Epstein mencionou sua expulsão de Mar-a-Lago: “Trump disse que pediu minha renúncia. Nunca fui membro. Claro que ele sabia sobre as garotas, já que pediu à Ghislaine que parasse.”
Durante viagem à Escócia, Trump comentou sobre o rompimento: “Epstein contratou duas vezes funcionárias do spa, mesmo após ser avisado. Declarei-o persona non grata.”
Apesar das citações, Trump não enviou nem recebeu nenhum dos e-mails, e não há acusações criminais contra ele relacionadas a Epstein ou Maxwell.
Ghislaine Maxwell, que cumpre pena de 20 anos de prisão, afirmou recentemente em entrevista ao advogado Todd Blanche que Trump “não fez nada de errado” e nunca esteve envolvido nas atividades criminosas de Epstein.
Câmara pressiona por divulgação de arquivos
A Câmara dos EUA continua pressionando a Casa Branca a divulgar os arquivos do Departamento de Justiça relacionados a Epstein.
Republicanos intimaram Ghislaine Maxwell para depor, e sua equipe jurídica busca imunidade em troca de testemunho.
O Congresso deve retomar as atividades nesta quarta-feira, com votação prevista sobre a liberação dos arquivos Epstein assim que os parlamentares retornarem a Washington.