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Altos funcionários dos Estados Unidos e uma delegação da Ucrânia iniciaram neste domingo (30) uma reunião em Palm Beach, na Flórida, para discutir o plano elaborado por Washington para pôr fim à guerra com a Rússia. O encontro ocorre poucos dias antes de conversas consideradas decisivas previstas para esta semana em Moscou com o presidente russo Vladimir Putin.
Segundo apuração de um correspondente da AFP, a reunião começou por volta das 10h10 (horário local) e contou com a presença do secretário de Estado Marco Rubio, do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump. Pelo lado ucraniano, a equipe é liderada por Rustem Umerov, chefe do Conselho de Segurança da Ucrânia.
Rubio afirmou que as conversas têm como objetivo assegurar “não apenas o fim da matança, mas o fim da guerra, garantindo que a Ucrânia permaneça soberana, independente e com possibilidade de prosperidade real”.
A delegação enviada por Kiev inclui ainda Andrii Hnatov, comandante das Forças Armadas da Ucrânia, e Andrii Sybiha, ministro das Relações Exteriores. A composição foi anunciada pelo presidente Volodimir Zelensky.
Negociações em meio a crise política e militar
As discussões acontecem em um momento sensível para o governo ucraniano, que segue sob a ofensiva russa desde a invasão de 2022. Na sexta-feira, Zelensky comunicou a renúncia de seu influente chefe de gabinete, Andrii Yermak, que até então atuava como principal negociador do país nas tratativas com os EUA.
A saída de Yermak ocorreu após sua residência ser alvo de uma busca por investigadores anticorrupção. O governo ucraniano enfrenta uma crise interna desencadeada por uma denúncia de desvio de US$ 100 milhões do setor energético por meio de subornos pagos por contratistas.
Apenas uma semana antes, Rubio havia se reunido com Yermak em Genebra, encontro que as duas partes descreveram como positivo e essencial para a revisão de um possível acordo de paz.
Plano de paz de Trump sofre críticas e passa por revisão
As conversas diplomáticas avançam sobre revisões do plano de 28 pontos inicialmente proposto pelo presidente Donald Trump e desenvolvido em negociações entre Washington e Moscou. O documento recebeu duras críticas por ser considerado excessivamente favorável às exigências russas.
A primeira versão do plano previa que a Ucrânia cedesse toda a região do Donbass à Rússia — concessão considerada inaceitável por Kiev. Também impunha limites ao tamanho das Forças Armadas ucranianas, bloqueava a entrada do país na OTAN e exigia a realização de eleições em 100 dias.
Trump, no entanto, vem minimizando o plano, chamando-o de “conceito” ou “mapa” a ser ajustado. Negociadores afirmam que o quadro mudou, mas ainda não está claro quais pontos foram alterados.
O presidente norte-americano anunciou que enviará Steve Witkoff e possivelmente Jared Kushner a Moscou nos próximos dias para discutir o plano diretamente com Putin. Tanto Witkoff quanto Kushner, assim como Trump, são figuras do setor imobiliário e costumam privilegiar negociações diretas, em detrimento dos métodos tradicionais da diplomacia. Ambos foram responsáveis por um plano de 20 pontos que resultou num cessar-fogo na Faixa de Gaza.
Zelensky sinaliza confiança, mas ataques continuam
Em publicação no X (antigo Twitter), Zelensky afirmou que a delegação ucraniana trabalharia “de maneira rápida e substantiva nos passos necessários para encerrar a guerra”.
No discurso noturno de sábado, o presidente disse que a equipe norte-americana tem demonstrado “uma postura construtiva” e que “é possível, nos próximos dias, definir os passos para levar a guerra a um desfecho digno”.
Enquanto isso, os ataques continuam. No sábado, drones e mísseis russos atingiram Kiev e regiões próximas, matando ao menos três pessoas e ferindo dezenas. Na madrugada de domingo, novos ataques deixaram uma pessoa morta e 19 feridas, incluindo quatro crianças, após um drone atingir um prédio residencial de nove andares na cidade de Vyshhorod, na região da capital.
Os avanços diplomáticos, portanto, ocorrem paralelamente ao contínuo agravamento da situação humanitária na Ucrânia.