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Mais de 15,7 milhões de eleitores chilenos vão às urnas neste domingo em votação obrigatória para escolher o próximo presidente da República, no segundo turno que coloca frente a frente a candidata governista Jeannette Jara e o líder do Partido Republicano, José Antonio Kast. A campanha do balotaje foi marcada por debates intensos sobre a crise de segurança pública, a expulsão de imigrantes em situação irregular, o fechamento da fronteira norte, além da retomada da economia e de políticas sociais como a Lei das 40 horas semanais, o aumento do salário mínimo e o reajuste das aposentadorias.
De acordo com todas as pesquisas de intenção de voto divulgadas até a véspera da eleição, Kast lidera com ampla vantagem, superando Jeannette Jara por pelo menos 15 pontos percentuais. Ainda assim, o resultado final depende do comportamento dos eleitores do economista Franco Parisi, líder do Partido da Gente (PDG), que terminou em terceiro lugar no primeiro turno com 19,80% dos votos.
Parisi surpreendeu ao anunciar que não apoiará nenhum dos dois candidatos e convocou seus eleitores a votar nulo neste domingo. Segundo ele, a medida representaria uma espécie de “economia para o Chile”, já que o Serviço Eleitoral (Servel) repassa recursos públicos aos candidatos conforme o número de votos recebidos. A decisão transformou Parisi em um dos principais personagens do segundo turno e fez com que seus eleitores se tornassem alvo prioritário das campanhas de Kast e Jara.
No primeiro turno, Parisi superou o deputado libertário Johannes Kaiser, que obteve 13,94%, e a candidata da coalizão Chile Vamos, Evelyn Matthei, que ficou com 12,44%. Ao recusar declarar apoio formal, Parisi afirmou que caberia aos dois finalistas “conquistar os votos”, o que intensificou a disputa nos últimos dias.
Diante desse cenário, Kast e Jara percorreram o país de forma intensa na reta final da campanha, tentando convencer eleitores indecisos e, sobretudo, os mais de 2,5 milhões de chilenos que votaram em Parisi na primeira rodada.
As eleições acontecem em meio a um forte desgaste do governo do presidente Gabriel Boric. Segundo levantamento da consultoria Plaza Pública Cadem, Boric iniciou seu mandato, em março de 2022, com 28% de rejeição, índice que chegou a uma média de 62% de desaprovação no fim de novembro. Esse cenário levou analistas chilenos e internacionais a avaliarem que o país pode registrar uma guinada à direita nas urnas.
O governo já definiu o protocolo institucional para o pós-eleição. Assim que o Servel anunciar o vencedor, Gabriel Boric telefonará ao presidente eleito para parabenizá-lo, em gesto que será público e transmitido pelos canais oficiais da Presidência.
Na manhã de segunda-feira (15), Boric receberá o vencedor no Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, onde deverá ocorrer o primeiro encontro formal do processo de transição. Em seguida, o atual presidente deve fazer um pronunciamento à população a partir do Pátio dos Laranjais.
Boric viajou na sexta-feira para Punta Arenas, cidade onde nasceu, localizada a cerca de 3 mil quilômetros ao sul de Santiago, onde votará às 9h deste domingo. Mais tarde, retornará à capital e, às 17h, participará de uma reunião com seus ministros no comitê político. Para a próxima semana, também está prevista a convocação de um Conselho de Gabinete, com o objetivo de coordenar o período de transição presidencial.
Os locais de votação estarão abertos das 8h às 18h. Os eleitores podem consultar sua seção e local de votação no site oficial do Servel. Quem não comparecer às urnas deverá justificar a ausência posteriormente junto ao Juizado de Polícia Local, apresentando documentação que comprove impedimento, como estar fora do país, problemas de saúde, distância superior a 200 quilômetros do local de votação, exercício de funções eleitorais, deficiência ou outro motivo grave reconhecido pela Justiça.
A polícia chilena informou que o procedimento poderá ser iniciado pela Comissaria Virtual, com posterior comparecimento a uma unidade policial para finalizar a justificativa.
Quem não votar sem justificativa estará sujeito a multas que variam de 35 mil a 105 mil pesos chilenos (cerca de US$ 38 a US$ 113). Estrangeiros habilitados a votar e chilenos residentes no exterior, no entanto, não estarão sujeitos à penalidade.
O dia da votação também é feriado obrigatório para shoppings, centros comerciais e strip centers administrados por uma mesma empresa, que permanecerão fechados. Não haverá lei seca, e estabelecimentos atendidos pelos próprios donos poderão funcionar. Trabalhadores escalados para este domingo têm direito a pelo menos três horas de liberação para votar, sem qualquer desconto salarial.
