Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
O presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira que a operação militar dos Estados Unidos que derrubou o ditador venezuelano Nicolás Maduro foi realizada sem a participação do círculo próximo do líder chavista, embora tenha reconhecido que “muitos queriam fazer um acordo” para facilitar a transição.
A declaração ocorreu poucas horas após a captura de Maduro e sua transferência para Nova York, onde deverá responder a acusações de narcoterrorismo e tráfico de armas.
Em entrevista à NBC News, Trump explicou que a prisão do ditador não contou com comunicação prévia com Delcy Rodríguez, que foi empossada nesta segunda-feira pela Assembleia Nacional como chefe do regime chavista.
“Não, esse não é o caso”, disse Trump ao ser questionado sobre uma eventual coordenação com Rodríguez.
Ele acrescentou que a dirigente chavista “tem cooperado” com autoridades norte-americanas.
“Em breve vamos determinar se as sanções existentes contra ela serão mantidas ou suspensas”, afirmou.
O presidente republicano reiterou que a ação foi conduzida de acordo com seu critério e sob sua supervisão direta, apesar de contar com uma equipe de autoridades designadas para coordenar a intervenção, entre elas o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth.
Na entrevista, Trump destacou que empresas dos Estados Unidos poderiam reconstruir a infraestrutura petrolífera da Venezuela em menos de 18 meses.
“Acho que podemos fazer isso em menos tempo, mas será muito dinheiro. Será gasto um volume enorme, as companhias petrolíferas farão o trabalho e depois serão reembolsadas por nós ou por meio das receitas”, disse.
As reservas de petróleo da Venezuela são estimadas em mais de 300 bilhões de barris, o que representa cerca de um quinto das reservas globais conhecidas.
Apesar do otimismo de Trump, a indústria petrolífera norte-americana mantém cautela. Exxon Mobil, Chevron e ConocoPhillips demonstraram reservas devido ao histórico de nacionalizações e expropriações de ativos na Venezuela, além da instabilidade política e das sanções ainda em vigor.
O CEO da Exxon Mobil, Darren Woods, lembrou que a empresa foi expropriada em duas ocasiões e afirmou que a viabilidade econômica de um retorno ao país exige uma análise aprofundada. A secretária de Energia, Chris Wright, deve se reunir ainda nesta semana com executivos da Exxon e da ConocoPhillips para discutir estratégias de investimento e reconstrução.
Trump afirmou que a recuperação da indústria petrolífera venezuelana não beneficiaria apenas as empresas dos EUA, mas também ajudaria a reduzir os preços do petróleo no mercado internacional.
“Ter uma Venezuela produzindo petróleo é bom para os Estados Unidos porque mantém o preço do barril baixo”, declarou, ressaltando que os preços da gasolina estão nos níveis mais baixos desde março de 2021. Segundo ele, as receitas potenciais poderiam ser suficientes para reembolsar os investimentos, sem a necessidade de novos aportes do governo norte-americano.
Sobre a política interna da Venezuela, Trump descartou a realização de novas eleições nos próximos 30 dias.
“Precisamos arrumar o país primeiro. Não há como as pessoas votarem agora”, explicou.
Ele também indicou que os Estados Unidos poderiam intervir novamente caso Delcy Rodríguez deixasse de cooperar, embora tenha afirmado que isso provavelmente não será necessário.
“Estamos preparados. Na verdade, já esperávamos ter que fazer isso”, disse.
O presidente norte-americano comentou ainda reportagens sobre a líder opositora venezuelana María Corina Machado. Trump negou ter descartado sua participação em um eventual governo por ela ter recebido o Prêmio Nobel da Paz no ano passado.
“Ela não deveria ter ganhado”, afirmou, acrescentando que “isso não tem nada a ver com a minha decisão”.
A captura de Maduro e os planos de reconstrução do setor petrolífero colocam a Venezuela novamente no centro da geopolítica regional e do interesse energético dos Estados Unidos.
A estratégia combina controle político e abertura ao investimento privado, com o objetivo de restabelecer a produção de petróleo e, ao mesmo tempo, enfraquecer a continuidade do chavismo, que por décadas se apoiou no controle estatal da indústria e em alianças internacionais para resistir à pressão externa.