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O governo dos Estados Unidos enfrenta a iminência de um novo fechamento parcial a partir da meia-noite desta sexta-feira (30), após senadores democratas anunciarem que não apoiarão o pacote orçamentário que inclui a financiamento do Departamento de Segurança Nacional (DHS).
O impasse ocorre em meio a uma forte polêmica gerada pela morte de Alex Pretti, um cidadão norte-americano morto por agentes da fronteira em Minnesota.
O líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, confirmou que sua bancada não fornecerá os 60 votos necessários para aprovar o conjunto de seis leis de alocação de recursos caso o capítulo sobre o DHS não seja retirado.
“Esta não é uma situação de lei e ordem. Isso é caos”, afirmou Schumer, que apresentou uma série de demandas para modificar procedimentos de detenção e uso de força dos agentes federais.
Entre as condições propostas pelos democratas estão:
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Criação de um código de conduta obrigatório para os agentes de imigração;
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Exigência do uso de câmeras corporais;
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Coordenação com a polícia local nas detenciones;
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Eliminação das patrulhas itinerantes;
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Obrigatoriedade de portar identificação visível.
“Nenhuma dessas mudanças é revolucionária”, disse o senador Chris Murphy, líder democrata na subcomissão de Segurança Nacional.
A posição também recebeu o apoio do senador independente Angus King, que afirmou que bloquearia o pacote caso não houvesse revisão dos gastos com imigração.
Em resposta, o líder republicano no Senado, John Thune, reforçou que qualquer alteração no projeto deveria ser negociada diretamente com a Casa Branca, e que não é viável modificar a legislação em cima da hora.
“Podemos discutir supervisão adicional ou novas leis, mas não à custa de fechar o governo”, alertou o senador republicano John Cornyn. Outros legisladores, como Lisa Murkowski e John Kennedy, mostraram-se abertos a separar a verba de Segurança Nacional do restante do pacote.
O presidente Donald Trump enfrenta pressões tanto de seu próprio partido quanto da oposição, devido ao rejeito às políticas de imigração e à possibilidade de que um novo fechamento agrave a instabilidade econômica.
“La Casa Branca está aberta a negociar”, afirmou Thune.
A Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, permanece fora de sessão nesta semana, dificultando a aprovação rápida de emendas ao projeto de lei. O presidente da Câmara, Mike Johnson, até o momento, não convocou os legisladores a retornarem a Washington e não indicou se permitiria alterações no pacote orçamentário.
Em carta, o Freedom Caucus, grupo republicano mais conservador, reiterou seu apoio ao presidente e rejeitou qualquer mudança que eliminação os fundos destinados à Segurança Nacional.
Caso não seja alcançado um acordo até a meia-noite de sexta-feira, o fechamento parcial interromperia operações em departamentos essenciais, como Defesa, Saúde, Educação, Transporte, Tesouro e Estado, além de afetar agências como a Administração de Pequenos Negócios.
O Serviço de Impostos Internos (IRS) teria sua atuação limitada em plena temporada de declarações, enquanto empréstimos a pequenas empresas e pagamentos a contratistas do Pentágono seriam suspensos. Funcionários federais não essenciais seriam enviados para casa sem receber salário, embora os agentes do ICE e da Patrulha de Fronteira continuem trabalhando como pessoal essencial.
O fechamento parcial também geraria incerteza sobre a divulgação de dados econômicos importantes, como o próximo relatório de desemprego. Tudo isso ocorre em meio a uma forte tempestade de inverno que paralisou cidades e forçou o cancelamento de sessões legislativas, reduzindo ainda mais o tempo para negociações antes do prazo final.
O último fechamento parcial do governo federal, ocorrido entre outubro e novembro de 2025, durou 43 dias e foi o mais longo da história dos EUA. Naquela ocasião, as divergências se concentraram na financiamento de subsídios de saúde, enquanto o conflito atual gira em torno da política migratória e supervisão de agentes federais após recentes incidentes fatais.
(Com informações da EFE e The Associated Press)