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A Polícia Metropolitana de Londres prendeu nesta segunda-feira (23) o ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, Peter Mandelson, sob suspeita de conduta imprópria no exercício de cargo público. A detenção ocorreu após a divulgação de documentos que detalham a relação do político com o financista Jeffrey Epstein.
Em comunicado, a polícia informou que “um homem de 72 anos foi preso por suspeita de descumprimento no exercício da função pública”, após buscas realizadas em residências nos bairros de Camden e Wiltshire. Imagens divulgadas pela imprensa mostram Mandelson deixando sua casa escoltado por agentes.
A investigação foi intensificada depois que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou públicos, no fim de janeiro, cerca de três milhões de arquivos relacionados ao caso Epstein. Entre os documentos constariam e-mails e registros de transferências bancárias entre Mandelson e o financista. Os registros indicam que, entre 2003 e 2004, o então parlamentar britânico teria recebido ao menos três pagamentos de US$ 25 mil provenientes de contas de Epstein no JP Morgan.
De acordo com os arquivos, Mandelson — que foi ministro no governo de Gordon Brown e comissário europeu de Comércio — teria compartilhado informações consideradas sensíveis sobre um pacote de resgate de 500 bilhões de euros que a Zona do Euro discutia em 2010, além de propostas fiscais e planos de privatização ligados à crise financeira. Um dos e-mails aponta o envio de uma nota interna do gabinete de Brown com o comentário: “Nota interessante que chegou ao primeiro-ministro”. Em outra mensagem, ele teria antecipado a renúncia de Brown à liderança trabalhista.
A relação entre Mandelson e Epstein ganhou maior repercussão pública em setembro do ano passado, quando reportagens revelaram que o então embaixador manteve contato com o financista mesmo após sua condenação, em 2008, por crimes sexuais. A nova leva de documentos levou à abertura de investigação criminal por possível revelação de informações confidenciais e uso indevido do cargo — não há acusações de natureza sexual contra o ex-diplomata neste caso.
Após as revelações, Mandelson renunciou ao assento na Câmara dos Lordes e deixou o Partido Trabalhista. Ele não se pronunciou publicamente desde a prisão, e seu advogado afirmou que não comentaria o caso.
O episódio amplia a pressão política sobre o primeiro-ministro Keir Starmer, que havia nomeado Mandelson como embaixador em Washington no fim de 2024. Após a divulgação de novos documentos, integrantes do gabinete pediram demissão, e parlamentares trabalhistas passaram a cobrar explicações do premiê. Starmer reconheceu que o vínculo de Mandelson com Epstein foi mencionado durante o processo de indicação ao cargo diplomático.
A Comissão de Inteligência e Segurança do Parlamento analisa os documentos relacionados à nomeação, mas parte do material permanece sob sigilo a pedido da polícia para não comprometer as investigações.
A prisão ocorre poucos dias depois da detenção de Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles III, em investigação semelhante envolvendo o envio de documentos confidenciais a Epstein. Ele nega irregularidades e foi liberado após prestar depoimento, enquanto o inquérito segue em andamento.
(Com informações de AFP, EFE, Reuters, Bloomberg, AP e Europa Press.)