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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta quarta-feira (8) que o Líbano e o grupo Hezbollah não estão incluídos no acordo de cessar-fogo de duas semanas firmado entre Washington e Teerã. A declaração serviu como um sinal verde implícito para Israel, que horas depois lançou sua maior ofensiva aérea coordenada desde o início do conflito, atingindo o coração de Beirute e deixando um rastro de mortes e destruição em zonas residenciais e comerciais.
Ao ser questionado pela rede PBS sobre a exclusão do front libanês na trégua, Trump foi direto: “Sim, não estava incluído no acordo”. Sobre o motivo, o mandatário apontou o Hezbollah como o entrave: “Isso também será resolvido”. Trump ainda minimizou a escalada israelense em curso, classificando-a como uma “escaramuça separada”.
Contra-ataque fulminante em Beirute
A fala de Trump expôs uma fratura na mediação internacional, contradizendo o governo do Paquistão — um dos principais negociadores — que sustentava que a trégua deveria abranger o Líbano. Sem as amarras do acordo, o Exército de Israel executou um ataque massivo pouco depois das 14h (horário local).
Foram atingidos mais de 100 alvos do Hezbollah em menos de dez minutos, espalhados por Beirute, pelo sul do Líbano e pelo Vale do Bekaa. O Ministério da Saúde libanês reportou dezenas de mortos e centenas de feridos. Relatos da agência AP descrevem cenas de horror no bairro de Corniche al Mazraa, com corpos carbonizados em veículos e equipes de resgate usando tratores para remover escombros de prédios de apartamentos em busca de sobreviventes.
Ponto de inflexão e crise humanitária
A ministra de Assuntos Sociais do Líbano, Haneed Sayed, classificou os ataques como um “ponto de inflexão muito perigoso”, destacando que as bombas atingiram o coração da capital, onde se refugia a metade dos deslocados internos do país. O presidente libanês, Joseph Aoun, chamou a ofensiva de “bárbara”.
Do lado israelense, o tom é de ultimato. O ministro da Defesa, Israel Katz, alertou o atual líder do Hezbollah, Naim Kassem, que “chegará a sua vez”, em referência ao assassinato do antigo líder Hassan Nasrallah em 2024. Katz descreveu a operação desta quarta como o maior golpe contra o grupo desde a explosão dos pagers em setembro de 2024.
Desespero entre os civis
A confusão sobre os termos do cessar-fogo gerou um drama humanitário imediato. No início da manhã, acreditando na trégua, centenas de famílias deslocadas começaram a desmontar barracas em Beirute e Sidon para retornar às suas casas no sul. Horas depois, com o reinício dos bombardeios, o clima de esperança deu lugar ao pânico e à incerteza.
Desde o início da operação terrestre em 2 de março, os ataques israelenses no Líbano já mataram mais de 1.530 pessoas e forçaram o deslocamento de mais de um milhão de cidadãos.