Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
O Irã acusou os Estados Unidos de violarem o acordo de cessar-fogo, mesmo com o presidente Donald Trump insistindo que a trégua permanece válida. Enquanto isso, novas explosões atingem aliados árabes dos EUA e Teerã anuncia o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo mundial.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quarta-feira que os Estados Unidos desrespeitaram três pontos do polêmico acordo de cessar-fogo. Segundo ele, os ataques de Israel ao Líbano, a entrada de drones no espaço aéreo iraniano e a insistência da Casa Branca de que o Irã não enriqueceria urânio constituem violações da proposta de 10 pontos assinada por Trump.
“Agora, a própria ‘base viável para negociações’ foi violada de forma clara, antes mesmo do início das conversas”, escreveu Ghalibaf em X, citando Trump. “Nessa situação, um cessar-fogo bilateral ou negociações é irrazoável.”
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, contestou a versão iraniana, afirmando que Trump nunca concordou em permitir que o Irã continuasse o enriquecimento de urânio. Ela garantiu que o Estreito de Ormuz permanece aberto, apesar de relatos de fechamento pelos meios de comunicação iranianos, em resposta aos ataques de Israel no Líbano, território ligado ao grupo Hezbollah.
“Vimos aumento no tráfego no estreito hoje. Há diferença entre o que o Irã diz publicamente e em privado”, declarou Leavitt.
Conflitos e ameaças na região
O Irã ameaçou destruir petroleiros que tentassem atravessar o Estreito de Ormuz sem permissão, cobrando até US$ 2 milhões por embarcação. O oleoduto East-West, da Arábia Saudita, também foi alvo de ataques com drones, e o Kuwait interceptou 28 drones que visavam instalações de petróleo, usinas e estações de dessalinização de água.
Explosões também foram registradas em Teerã, mas a Casa Branca não comentou oficialmente, aguardando informações da equipe de segurança nacional de Trump. Em Beirute, a capital do Líbano, houve intensos bombardeios das forças israelenses.
“O Líbano não faz parte do cessar-fogo”, afirmou Leavitt.
O vice-presidente americano JD Vance garantiu que Israel se comprometeu a “verificar suas ações” no Líbano e afirmou que o tráfego no Estreito de Ormuz começa a retornar ao normal. Vance viaja neste sábado para Islamabad, no Paquistão, acompanhado do enviado especial Steve Witkoff e do genro de Trump, Jared Kushner, para negociações presenciais.
Divergências dentro da Casa Branca e críticas políticas
Trump afirmou à ABC News que concorda com a cobrança de pedágios para a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz, descrevendo a medida como uma “joint venture” para garantir a segurança. Ao mesmo tempo, contradisse sua própria equipe, dizendo que a maioria dos pontos da proposta já havia sido negociada, mas deixou aberta a possibilidade de retomar ataques caso o acordo fracasse.
No Congresso dos EUA, o senador republicano Lindsey Graham exigiu explicações de JD Vance sobre os termos do acordo. O deputado Don Bacon expressou ceticismo, afirmando que “vitória total não foi conquistada” e alertando sobre o fortalecimento militar do Irã nos próximos anos.
Aliados pró-Israel de Trump, como Laura Loomer e Mark Levin, criticaram a trégua, prevendo seu fracasso e alertando que o Irã permanece como inimigo estratégico dos Estados Unidos.