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m um cenário de crescente pressão de Washington sobre a América Latina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, nesta quarta-feira (28), para blindar a soberania panamenha. O petista defendeu enfaticamente a neutralidade do Canal do Panamá, classificando a gestão local como um exemplo de sucesso.
Segundo Lula, a passagem comercial — hoje um dos principais pontos de atrito entre o governo de Donald Trump e o Panamá — vem sendo “administrada de forma eficiente, segura e não discriminatória há quase três décadas”.
O Embate com a Doutrina Trump
A fala ocorre em um momento crítico. O presidente norte-americano, Donald Trump, tem intensificado as críticas ao Panamá, acusando o país de cobrar tarifas excessivas e de supostamente ceder o controle da via estratégica à China. Sob pressão, o governo panamenho aceitou recentemente que navios de guerra dos EUA utilizem o canal gratuitamente e com prioridade.
Sem citar Trump nominalmente, mas em clara referência à postura da Casa Branca, Lula condenou a tentativa de grandes potências de interferirem na região.
“A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos constitui gestos anacrônicos e retrocessos históricos”, disparou o presidente brasileiro.
Apesar das críticas, Lula buscou um equilíbrio diplomático ao relembrar que nem sempre a relação foi de conflito: “Também houve momentos em que os Estados Unidos souberam ser um parceiro em prol dos nossos interesses de desenvolvimento”, ponderou.
Integração e Corredores Bioceânicos
Além da questão panamenha, Lula focou na integração física do continente. O presidente se reuniu com o líder chileno, José Antonio Kast, para avançar no projeto Rotas de Integração Sul-Americana. O plano prevê corredores rodoviários e ferroviários que ligarão o Brasil aos portos chilenos, atravessando Bolívia, Paraguai e Argentina.
Para Lula, a união do bloco não deve ficar restrita aos gabinetes presidenciais.
“Para uma integração regional duradoura e estratégica, é essencial envolver atores subnacionais, a sociedade civil e a iniciativa privada”, defendeu.
O canal do Panamá voltará à pauta oficial em uma reunião bilateral entre Lula e o presidente panamenho, José Raúl Mulino, onde devem ser discutidas estratégias para manter a estabilidade comercial da região diante das ameaças de retomada de controle por parte dos Estados Unidos.