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O presidente russo, Vladimir Putin, alertou nesta sexta-feira (5) que qualquer contingente militar ocidental enviado à Ucrânia será considerado um alvo “legítimo” para as forças de Moscou. A declaração foi feita em um fórum econômico em Vladivostok, no leste da Rússia, e ele reforçou a postura do Kremlin.
“Se tropas aparecerem lá, especialmente agora durante os combates, partimos do princípio de que serão alvos legítimos”, afirmou Putin. O líder russo acrescentou que o aumento dos laços militares de Kiev com o Ocidente é uma das “causas fundamentais” do conflito e que a presença de tropas estrangeiras não garantiria a estabilidade.
“Se forem tomadas decisões que levem à paz, a uma paz duradoura, então simplesmente não vejo sentido na presença deles no território da Ucrânia. Porque se os acordos forem alcançados, que ninguém duvide que a Rússia os cumprirá plenamente”, declarou.
A postura de Moscou foi reforçada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. Ele afirmou à agência de notícias estatal RIA Novosti que “os contingentes militares estrangeiros, especialmente europeus e americanos, podem fornecer e garantir a segurança da Ucrânia? Definitivamente não, não podem”.
Em entrevista ao jornal Izvestia, Peskov acusou os governos europeus de “obstruir a resolução na Ucrânia”, adicionando que eles “continuam com suas tentativas de transformar a Ucrânia no centro de tudo o que é anti-Rússia”.
As declarações russas vêm um dia depois de mais de duas dezenas de países anunciarem um plano para formar uma “força de garantia” que teria presença em terra, mar e ar em território ucraniano, caso um acordo de paz seja firmado. O número de efetivos e as contribuições de cada país ainda não foram divulgados.
A iniciativa foi apresentada na cúpula de Paris, convocada pelo presidente francês Emmanuel Macron, com a presença de Volodimir Zelensky e de outros líderes europeus, como o primeiro-ministro britânico Keir Starmer.
Macron declarou que “temos hoje 26 países que se comprometeram formalmente a enviar como ‘força de garantia’ tropas para a Ucrânia, ou a estarem presentes em terra, mar ou ar”. Ele explicou que os contingentes não atuariam na linha de frente, mas seriam destinados a “prevenir qualquer nova agressão importante”.
Zelensky celebrou a iniciativa, definindo-a como um passo “histórico”. “Pela primeira vez em muito tempo, este é o primeiro passo concreto sério”, afirmou. Ele enfatizou que o objetivo é reforçar as capacidades defensivas do país e reorganizar o exército.
O presidente francês ainda advertiu que, caso a Rússia continue a rejeitar um acordo de paz, serão coordenadas “sanções adicionais” com os Estados Unidos. Macron acusou a Rússia de “tentar ganhar tempo” enquanto intensifica os ataques contra civis.
A resposta europeia, contudo, revelou divisões internas. O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que a Alemanha definirá seu papel “no momento apropriado, assim que as condições-quadro forem esclarecidas”. Já a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, descartou o envio de tropas, embora tenha se mostrado disposta a colaborar no monitoramento de um eventual acordo.
O grau de envolvimento dos EUA ainda é incerto. O ex-presidente Donald Trump, que participou da cúpula por videoconferência, afirmou que planeja conversar em breve com Putin. O enviado especial Steve Witkoff representou Washington em Paris e se reuniu com Zelensky.
O presidente ucraniano indicou que sua conversa com Trump incluiu sanções adicionais contra a Rússia e medidas para proteger o espaço aéreo. “Discutimos diferentes opções, e o mais importante é usar medidas fortes, particularmente econômicas, para forçar o fim da guerra”, disse. A Casa Branca, por sua vez, reiterou o pedido para que a compra de petróleo russo seja suspensa, já que é uma das principais fontes de financiamento da ofensiva de Moscou.