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O grupo Hamas divulgou neste sábado (2) um novo vídeo do refém israelense Evyatar David, de 24 anos, sequestrado durante o ataque ao festival de música Nova, em 7 de outubro de 2023, próximo à Faixa de Gaza. Nas imagens, David aparece visivelmente debilitado, cavando o que descreve como “sua própria cova” em um túnel estreito do enclave palestino.
How psychopathic is Hamas?
It forced starving hostage Evyatar David to DIG HIS OWN GRAVE for the cameras. pic.twitter.com/iMa404St4s
— Eylon Levy (@EylonALevy) August 2, 2025
O vídeo mostra o jovem com barba crescida, roupas desgastadas e sinais evidentes de desnutrição. Ele afirma: “O que estou cavando é minha própria sepultura”, antes de desabar ao lado da pá. Em outro trecho, diz: “O tempo está se esgotando”, e apela por uma trégua que permita seu retorno à família. Ao final da gravação, os captores declaram: “Apenas um acordo de cessar-fogo pode trazê-los de volta com vida”.
Durante o vídeo, David exibe um calendário onde registra sua alimentação, relatando intervalos de até três dias sem comer. Em uma cena, ele se alimenta diretamente de uma lata de leguminosas e comenta: “Isso é para dois dias, para eu continuar vivo”. Ele também dirige um apelo ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu: “Sinto que fui abandonado. Como chefe do meu governo, você precisa cuidar de mim e dos outros prisioneiros”. O refém afirma que perdeu a fé no que aprendeu sobre os valores de seu país: “Tudo em que acreditei é uma mentira”.
Segundo relatos de ex-reféns libertados, vídeos como o de David costumam ser roteirizados pelos sequestradores, mas confirmam as privações severas e episódios de abuso físico e psicológico nos cativeiros.
O caso de Evyatar David não é isolado. Na quinta-feira (31), a Jihad Islâmica Palestina divulgou imagens de outro refém, Rom Braslavski, de 21 anos, também em estado de desnutrição, pedindo que autoridades israelenses permitam a entrada de ajuda humanitária em Gaza.
De acordo com dados do Exército de Israel, dos 251 reféns capturados em 7 de outubro, 49 continuam em poder de grupos armados em Gaza. Destes, há suspeitas de que 27 tenham morrido.
A divulgação de vídeos de reféns ocorre em meio ao impasse nas negociações por um cessar-fogo. O enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, está em Israel e se reuniu com familiares dos sequestrados, que mantêm um acampamento de protesto em Tel Aviv. Witkoff afirmou que os Estados Unidos apoiam um acordo amplo para libertação dos reféns e uma trégua prolongada: “Nosso objetivo é terminar a guerra, não expandi-la”.
Organizações internacionais alertam para o risco de fome generalizada em Gaza, onde a entrada de suprimentos tem sido limitada. Entre 2 de março e 19 de maio, a passagem de ajuda humanitária esteve totalmente bloqueada, e atualmente apenas uma quantidade reduzida de alimentos consegue entrar no território.
A família de Evyatar David declarou estar testemunhando uma “campanha de fome deliberada e cínica” contra o jovem, a quem descreveram como um “esqueleto vivo enterrado em vida”. Pediram que a ajuda internacional também alcance os reféns e solicitaram que a mídia israelense evite reproduzir conteúdos considerados propaganda dos grupos armados.
Um alto funcionário israelense, citado por veículos locais, afirmou que os sequestradores “não sofrem da mesma escassez alimentar que os reféns” e acusou o Hamas de usar a fome como ferramenta de punição e pressão psicológica. Israel, por sua vez, nega usar a fome como arma de guerra e considera as acusações uma tentativa de manipulação por parte do grupo palestino.
Com informações da AFP e EFE.