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A Polícia Civil de São Paulo abriu uma investigação contra a plataforma Discord por suspeita de apologia à violência e omissão diante de denúncias sobre comunidades que promovem crimes graves envolvendo menores de idade. Segundo os investigadores, o aplicativo abriga grupos que incentivam transmissões ao vivo com cenas de automutilação, abusos sexuais, agressões físicas e crueldade contra animais — conteúdos acessíveis até por crianças e adolescentes.
O inquérito foi instaurado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em 28 de março, após o Discord se recusar duas vezes a banir uma comunidade denunciada pelas autoridades. As apurações começaram após uma live transmitida no dia 17 de janeiro, quando um usuário cortou os próprios pulsos em um canal público da plataforma, acompanhado por centenas de espectadores, a maioria adolescentes. O conteúdo foi detectado por agentes do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), que monitoram atividades ilegais em ambientes virtuais. Apesar do pedido de retirada imediata, o vídeo só foi removido minutos depois pelos administradores do grupo.
De acordo com a delegada Lisandréa Salvariego, coordenadora do núcleo digital da Polícia Civil, trata-se de uma ação coordenada que visa estimular jovens a exibirem “lives de violência explícita” em troca de status dentro das comunidades. “Neste grupo específico, o usuário entra como ‘soldado’ e pode ser promovido até ‘coronel’ ao transmitir imagens de abuso, crueldade animal ou automutilação”, explicou. A mesma comunidade, segundo ela, também atua como espaço de comercialização de pornografia infantil.
As denúncias de conteúdo criminoso envolvendo o Discord aumentaram 272% no primeiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da polícia. O programa Fantástico, da TV Globo, exibiu no domingo (6) uma reportagem mostrando a atuação de policiais e promotores de diferentes estados, que têm se infiltrado nesses grupos para identificar os responsáveis e proteger vítimas, frequentemente menores aliciados por criminosos que recorrem à chantagem e ao estupro virtual.
Em nota, o Discord afirmou que “as ações horríveis dos grupos investigados nessa operação não têm espaço na plataforma” e que mantém equipes dedicadas a combater esse tipo de crime. No entanto, até o momento, o servidor investigado segue ativo, conforme apontam os investigadores.