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A Petrobras informou nesta segunda-feira (28) que reduzirá em média 14% o preço do gás natural vendido às distribuidoras a partir de 1º de agosto. A medida reflete a queda de 11% no valor do petróleo tipo Brent no trimestre iniciado em agosto e a valorização de 3,2% do real frente ao dólar.
A revisão trimestral dos preços segue os contratos firmados com as distribuidoras, que levam em conta a variação do petróleo e da moeda americana. Com a nova queda, o preço médio da molécula de gás vendida pela estatal acumula redução de 32% desde dezembro de 2022. A Petrobras estima que a queda possa superar 33% caso os incentivos comerciais de performance e demanda, implementados neste ano, sejam integralmente aplicados.
Apesar da redução, a estatal ressalta que o valor final pago pelos consumidores inclui outros custos, como transporte, portfólio de suprimento, margens de lucro das concessionárias e tributos estaduais e federais. No caso do GNV (gás natural veicular), ainda incidem os custos de revenda.
Mesmo com a queda anunciada, o preço do gás natural segue elevado no Brasil, em parte devido à alta taxa de reinjeção do insumo nos reservatórios de petróleo. Cerca de 85% do gás natural extraído no país é do tipo associado, ou seja, é produzido junto ao petróleo. Para viabilizar a extração do óleo, parte do gás é reinjetada, o que aumenta a pressão nos reservatórios e melhora a produtividade do petróleo — um recurso mais valorizado no mercado internacional.
Atualmente, o Brasil reinjeta mais de 50% do gás produzido, índice acima da média mundial, que gira entre 20% e 35% em países com características similares. Em junho, foram reinjetados 96,3 milhões de metros cúbicos por dia, o equivalente a 53% da produção total de 181,6 milhões de m³/dia.
A prática tem sido alvo de críticas por parte do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), que considera o custo do gás um entrave à competitividade da indústria nacional. “O preço do gás natural no Brasil é absurdo e prejudica nossa indústria intensiva em energia”, afirmou em junho. Ele também questionou a lógica econômica da prática: “Vamos exigir da Vale que briquetize minério de ferro aqui pagando US$ 14 por milhão de BTU, enquanto ela tem esse mesmo gás a US$ 4 em Omã?”, disse.
Silveira defende a ampliação da oferta interna pela Petrobras como forma de reduzir os preços, embora negue qualquer tipo de interferência na estatal. “Não há justificativa para isso [a reinjeção]. É importante que a Petrobras tenha consciência da importância de ampliar a oferta de gás”, afirmou, destacando que, se houvesse intervenção governamental, “a empresa não continuaria tão valorizada como está”.