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A comitiva de senadores brasileiros que viajou aos Estados Unidos para discutir as tarifas de 50% impostas ao Brasil concluiu a missão nesta quarta-feira (30) com avaliações positivas sobre os encontros realizados com políticos e empresários norte-americanos. O grupo acredita que as reuniões “distensionaram a situação” e podem abrir canais de diálogo para futuras negociações sobre exportações.
O coordenador da comitiva, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou que o objetivo foi mostrar os prejuízos que o aumento das taxas pode causar aos EUA, pressionar pelo adiamento das tarifas e reforçar a disposição do Brasil para negociar.
“Ouvimos tanto dos democratas quanto dos republicanos, ouvimos várias empresas. Isso é só o início, várias conversas. Depois de amanhã é o ‘Dia D do Brasil’, vamos ver se vai ter a taxação, ampliação de prazo ou não”, disse a senadora Tereza Cristina (PP-MS).
Entre os possíveis desdobramentos, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá se reunir com o presidente Donald Trump nos Estados Unidos. “A possibilidade está aberta, não tenho problema de dizer isso pelo presidente Lula. É só organizar”, afirmou Wagner.
Apesar disso, não há previsão para que a reunião ocorra antes do dia 1º de agosto, data em que a taxação está prevista para entrar em vigor. Segundo o senador, a visita presidencial exigiria um alinhamento diplomático mais amplo. “Se depender do lado brasileiro para tratar das questões que esse grupo aqui não tem como tratar, que nós vemos aqui tratar do comercial, as outras questões que foram levantadas, de Brics, compra da Rússia, é uma questão que pode ser debatida em encontro bilateral”, explicou.
Os parlamentares também destacaram outra preocupação: a possibilidade de o Congresso dos EUA aprovar tarifas automáticas sobre países que mantenham relações comerciais com a Rússia, uma estratégia norte-americana para pressionar Moscou a aceitar um cessar-fogo na guerra com a Ucrânia. O Brasil é um comprador importante de fertilizantes russos, essenciais para o agronegócio nacional.
“O Brasil é dependente desses insumos e cessar a compra poderia parar o agronegócio brasileiro”, alertou Wagner.
Durante a missão em Washington D.C., que ocorreu entre os dias 28 e 30 de julho, a comitiva formada por oito senadores se reuniu com nove congressistas norte-americanos — oito democratas e um republicano — e integrantes da Câmara de Comércio Brasil-EUA. A partir desses encontros, surgiu a iniciativa de enviar uma carta ao presidente Trump pedindo a prorrogação das tarifas.
O senador Jaques Wagner relatou que empresários e congressistas norte-americanos enfatizaram a necessidade de o presidente Lula ligar para Trump. Segundo ele, o petista demonstrou “boa vontade” para o encontro, desde que não sejam discutidas “ingerências ao judiciário”.
“Vários [interlocutores] destacaram essa necessidade, eu falei com o presidente Lula, que disse que tem que ser respeitado. Quem tem que organizar esse encontro é a diplomacia. Não acho que o encontro se dará antes de 1º de agosto. Lula não tem problema em falar com ele [Trump]. A questão da Rússia pode ser debatida em uma reunião bilateral, desde que não sejam tratadas as questões do judiciário”, concluiu Wagner.
A missão dos senadores teve caráter exclusivamente diplomático e comercial, sem participação direta nas negociações oficiais, que estão sob a coordenação do governo federal e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).