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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que deseja acompanhar os resultados de uma reunião bilateral entre seus homólogos da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Volodimir Zelensky, antes de avaliar a possibilidade de participar de uma cúpula trilateral para negociar um acordo de paz.
Trump declarou sua posição em entrevistas a veículos conservadores, afirmando que, após encontros recentes com ambos os líderes, considera conveniente que Moscou e Kiev dialoguem diretamente, segundo suas declarações ao programa de rádio do jornalista Mark Levin.
“Vamos tentar deter a guerra, e acredito que temos boas chances. Tive uma reunião muito bem-sucedida com o presidente Putin e outra com o presidente Zelensky, e então pensei que seria melhor que eles se encontrassem sem mim, apenas para ver o que acontece. Quero observar o resultado”, detalhou Trump.
O presidente americano afirmou que os dois líderes mantêm uma relação “muito ruim”, por isso optou por dar oportunidade a um diálogo direto antes de sua eventual participação. “Eles estão organizando isso, e vamos ver o que acontece”, acrescentou.
De acordo com a agenda divulgada pela Casa Branca, está prevista inicialmente uma conversa bilateral entre Rússia e Ucrânia, como parte dos esforços para encerrar a guerra iniciada em 2022. Trump já havia se reunido anteriormente com Zelensky e líderes europeus, além de ter mantido uma conversa telefônica com Putin. Essas ações integram sua estratégia diplomática de buscar uma resolução do conflito sem o envolvimento imediato dos EUA em negociações conjuntas.
Sobre a recente cúpula com Putin em Alaska, na última sexta-feira, Trump relatou que o presidente russo reiterou a convicção de que a invasão da Ucrânia não teria ocorrido se ele, e não Joe Biden, estivesse na Casa Branca. “Putin confirmou minha teoria, sem que eu pedisse”, comentou o presidente. Trump também comparou sua política externa à de Barack Obama, ressaltando que a anexação da Crimeia e a resposta americana ocorreram durante a presidência de Obama. “Se eu tivesse cedido aquela terra (Crimeia), estaria em todas as capas de jornais pelos próximos vinte anos. Quando Obama cedeu, nem falaram sobre isso”, disse.
Em busca de reconhecimento internacional, Trump demonstrou interesse em que suas ações diplomáticas sejam consideradas para o Prêmio Nobel da Paz. O presidente afirmou que, em seu mandato atual, interveio com sucesso em seis conflitos internacionais e insinuou a existência de outra ação que prefere manter em segredo. “Há outra da qual não posso falar, que interrompi antes que começasse, e foi uma honra fazê-lo. Salvei muita gente, centenas de milhares e até milhões de pessoas. É uma boa sensação”, afirmou.
Em tom descontraído, durante sua participação no programa “Fox & Friends”, da Fox News, Trump ironizou sobre a possibilidade de que um acordo de paz na Ucrânia aumente suas chances de “chegar ao céu”. “Quero tentar ir ao céu, se possível. Ouvi que não estou bem posicionado, que estou no nível mais baixo! Mas se eu conseguir, esta será uma das razões”, declarou.
No plano doméstico, Trump reforça seu vínculo com setores religiosos republicanos, após sobreviver a um atentado no ano passado e ser empossado novamente em janeiro. Nomeou a pastora Paula White como conselheira espiritual e presidente do Escritório da Fé na Casa Branca, enquanto a secretária de imprensa Karoline Leavitt destacou a seriedade dos comentários de Trump sobre suas aspirações espirituais e a importância das sessões de oração antes de encontros com a imprensa.
Durante as conversas sobre o futuro da Ucrânia, Trump afirmou que Zelensky precisará se mostrar “flexível” nas negociações, e adiantou que os EUA não planejam enviar tropas ao território ucraniano. “Vários países europeus já se dispuseram a enviar militares à Ucrânia”, disse, ressaltando que os EUA não participarão desse envio. Sobre possíveis trocas territoriais, Trump afirmou que “a Ucrânia vai recuperar sua vida” e “muitos territórios” ao final do conflito, mas evitou dar detalhes, embora tenha sugerido anteriormente que Kiev poderia ter que abrir mão da Crimeia.
Trump também comentou a situação no Irã, destacando que o ataque americano a instalações nucleares iranianas em 21 de junho, chamado “Operação Martelo da Meia-Noite”, teria impedido o desenvolvimento de armas nucleares em curto prazo. “Acredito que eles teriam armas nucleares em quatro semanas”, afirmou, citando relatórios do Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA). No entanto, tanto o OIEA quanto especialistas externos questionaram se os danos foram definitivos.
As declarações de Trump reforçam sua estratégia de diplomacia direta e pressão pública sobre os envolvidos no conflito da Ucrânia e nos programas nucleares do Oriente Médio. O presidente mantém rejeição à integração da Ucrânia à OTAN, enquanto observa os avanços das garantias de segurança promovidas por parceiros europeus e o andamento das negociações diplomáticas.
(Com informações da AFP, EFE e Reuters)