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O assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, segue sob investigação e reforça os alertas sobre a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra autoridades ligadas ao combate ao crime organizado. Fontes foi morto em uma emboscada em Praia Grande, onde atuava como secretário de Administração desde 2023.
O Fantástico, da TV Globo, revelou neste domingo (21) documentos exclusivos que mostram que Ruy estava na mira da facção criminosa. Entre os arquivos, está o relatório “Bate Bola”, de 2024, que detalhava planos de atentados contra autoridades, com ordens repassadas de dentro dos presídios por meio de advogados e familiares. O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que também constava entre os alvos, relatou uma conversa recente com o delegado aposentado:
— “Ele me disse: ‘Doutor Lincoln, o senhor está mais tranquilo porque está muito bem protegido pela sua escolta. Eu, como aposentado, não tenho esse direito’.”
Fontes construiu sua carreira no enfrentamento ao PCC. Em 1999, liderou a prisão de Marcos Willian Camacho, o Marcola, atual chefe da facção. Em 2019, como delegado-geral, determinou a transferência de 22 líderes do grupo para presídios federais de segurança máxima. Meses depois, comandou a prisão do “Bonde dos 14”. Desde então, seu nome aparecia em listas de possíveis alvos do crime organizado.
Apesar das ameaças, Ruy não tinha direito a escolta por estar aposentado e não utilizava carro blindado. Em entrevista concedida antes de sua morte, ele demonstrava preocupação:
— “Eu vivo sozinho aqui na Praia Grande, que é o meio deles. Se eu fosse um policial da ativa, teria estrutura para me proteger. Hoje, não tenho nenhuma.”
Prisões e foragidos
Até o momento, quatro pessoas foram presas sob suspeita de participação no crime:
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Daeshly Oliveira Pires, apontada como responsável pelo transporte de um dos fuzis;
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Luiz Henrique Santos Batista, o “Fofão”, suspeito de auxiliar na fuga;
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Rafael Dias Simões, que se entregou à polícia e é acusado de participação direta;
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Willian Marques, dono da casa usada como base pelos criminosos.
Outros três seguem foragidos: Flávio Henrique de Souza, Felipe Avelino da Silva (Mascherano) e Luiz Antônio Rodrigues Miranda, que teria ordenado a busca pela arma.
A defesa de Willian Marques afirmou ter sido surpreendida pela decretação da prisão e reforçou disposição em colaborar com as investigações. Já o advogado de Rafael Dias Simões negou envolvimento de seu cliente.
Linha de investigação
Para o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, a ligação com o PCC é evidente:
— “Não restam dúvidas de que há participação do crime organizado.”
O promotor Lincoln Gakiya reforça:
— “Mesmo que o crime tenha sido cometido por outros atores, dificilmente teria ocorrido sem a anuência do PCC.”