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Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo, da Polícia Federal e da Corregedoria Geral da Polícia Civil prendeu nesta quinta-feira (5) nove pessoas suspeitas de integrar um esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro que teria se instalado em departamentos estratégicos da Polícia Civil paulista.
Segundo as investigações, o grupo era composto por doleiros, operadores financeiros e policiais com histórico de práticas criminosas. Eles atuavam de forma coordenada para garantir a impunidade de seus integrantes, realizando pagamentos de propina a agentes públicos, manipulando procedimentos investigativos, destruindo provas e utilizando empresas de fachada para ocultar recursos ilícitos.
Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, inclusive em unidades policiais, 11 mandados de prisão e seis de intimação relacionados a medidas cautelares diversas da prisão. Entre os presos estão três policiais civis, incluindo um delegado, uma doleira e outros investigados. A operação ainda está em andamento.
A investigação, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), detalha que o grupo transformou delegacias especializadas em centros de negociação para garantir impunidade, usando relatórios de inteligência financeira (RIFs) para identificar alvos e cobrar propina. Foram registradas tentativas de destruição de provas, incluindo a troca de HDs apreendidos por dispositivos vazios, e exigência de valores milionários para não dar andamento a investigações, como um episódio em que policiais teriam pedido R$ 5 milhões no 16º Distrito Policial (Vila Clementino).
Entre os alvos estão os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, operadores apontados como responsáveis pelo esquema. Meire foi presa nesta quinta, enquanto Meirelles ainda não foi localizado. O esquema também envolvia a conversão de dinheiro em espécie em créditos de vales-refeição por meio de estabelecimentos comerciais fictícios.
O juiz Paulo Fernando Deroma de Mello autorizou prisões preventivas, bloqueio de bens e cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, incluindo residências, escritórios de advocacia e delegacias onde os policiais suspeitos estavam lotados, como o DPPC, DEIC e 16º DP. Na decisão, o magistrado destacou a subversão ao dever funcional e a necessidade de intervenção judicial para interromper as atividades da organização.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil participa da operação e que a corporação “não compactua com desvios de conduta”, adotando todas as medidas legais e disciplinares cabíveis.
A operação desta quinta-feira é um desdobramento da Operação Recidere (2023), que investigou envio bilionário de dinheiro ilícito ao exterior, totalizando R$ 4 bilhões movimentados em dois anos. Os diálogos obtidos em celulares dos investigados também apontam corrupção no DPPC durante a Operação Fractal, que resultou na blindagem de integrantes da organização criminosa.