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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (29) que o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ONU na última quarta-feira (24) criou um ambiente favorável para melhorar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
“O discurso da ONU do presidente Lula foi muito oportuno, e foi no momento certo, gerou ali um clima mais amigável e nós temos que explorar isso porque os nossos dois povos não vão brigar, independentemente do que os chefes de Estado vão fazer”, disse Haddad durante participação em evento promovido pelo Itaú, em São Paulo.
O ministro ressaltou a importância de aproveitar esse momento para discutir o tarifaço imposto pelos norte-americanos a produtos brasileiros. Segundo Haddad, o Brasil acumulou um déficit comercial de US$ 410 bilhões nas relações com os EUA nos últimos 15 anos. Mesmo diante desse cenário, o governo do ex-presidente Donald Trump implementou tarifas que começaram em 10% e posteriormente foram elevadas para 40% sobre determinados produtos brasileiros.
Haddad destacou ainda que participou de um encontro na Califórnia em maio, apresentando a parceiros internacionais, incluindo representantes de China, EUA e Europa, as vantagens competitivas do Brasil, como energia limpa e barata, conectividade e processamento de dados brasileiros no exterior. Na ocasião, conversou com Scott Bressent, secretário do Tesouro dos EUA, sobre a falta de lógica em tarifar produtos sul-americanos. Segundo o ministro, Bressent teria concordado e afirmado que poderiam “sentar para conversar”. No entanto, dois meses depois, os EUA impuseram tarifas adicionais.
O ministro criticou o uso de taxas como instrumento político: “O presidente dos Estados Unidos pode ter a preferência que ele quiser, mas tentar usar a tarifa como arma política, na minha opinião, é um equívoco que deveria ser corrigido quanto antes”. Ele também ressaltou que o governo brasileiro busca esclarecer como funcionam os poderes no país: “Aqui não tem autocrata, aqui tem presidente, tem Congresso, tem Supremo, mas não tem um autocrata no Executivo, tem um democrata”.
Sobre o tarifaço comercial de 50% imposto pelos EUA a grande parte dos produtos exportados pelo Brasil, Haddad afirmou: “Todo mundo há de convir que não faz o menor sentido do ponto de vista econômico, nem para eles nem para nós. São países amigos há 200 anos, nunca tivemos problema. Acho que foi um tiro no pé deles, inclusive para a economia americana. Não faz sentido pagar mais caro no café, na carne…”.
O ministro finalizou reforçando a necessidade de separar economia de política nas negociações: “Quero crer que vai se iniciar em algum momento um debate racional. Primeiro, separando o que é econômico do que é político. O presidente dos EUA tem o direito de ter suas preferências. Mas tentar usar a tarifa como arma política é um equívoco que deveria ser corrigido o quanto antes”.