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Centenas de pessoas tomaram as ruas da Cidade do México neste sábado (15), mobilizadas pelas redes sociais em uma convocação atribuída ao chamado movimento Gen Z, que em outros países tem impulsionado pautas político-sociais. No país, o ato ficou conhecido como Marcha da Geração Z e ocorreu também em outras regiões do México.
Os manifestantes se reuniram no Anjo da Independência e seguiram em direção ao Zócalo, no centro da capital. Embora a marcha tenha começado de forma pacífica, integrantes dos Black Blocs — grupo mascarado já conhecido por ações violentas — apareceram durante o trajeto.
Segundo relatos e vídeos divulgados nas redes sociais, membros dos Black Blocs derrubaram as grades instaladas no entorno do Palácio Nacional, montadas para proteger tanto policiais quanto manifestantes. Em seguida, o grupo partiu para agressões contra agentes de segurança, homens e mulheres, que foram chutados e espancados. Não é a primeira vez que atuam dessa forma: em 2 de outubro, mais de cem policiais ficaram feridos durante o ato que relembra o massacre de Tlatelolco.
Apesar do nome da mobilização, a maioria dos presentes não fazia parte da chamada Geração Z. Nos dias que antecederam a marcha, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, havia pedido que o protesto ocorresse de maneira pacífica.
“México é um país libre, estamos de acordo com a liberdade de manifestação. Todos que quiserem podem se manifestar. Sempre buscamos que seja de maneira pacífica, que não haja atos de violência”, afirmou Sheinbaum durante sua coletiva matinal.
Na coletiva realizada após o protesto, o governo mexicano apresentou uma análise conduzida por Miguel Ángel Elorza, coordenador de Infodemia, que investigou a origem das contas nas redes sociais que convocaram a Marcha da Geração Z.
Segundo Elorza, muitos dos perfis responsáveis pela mobilização não tinham características orgânicas: foram criados recentemente, reativados após longos períodos de inatividade e operados a partir de outros países. Embora se apresentassem como “apartidários”, várias dessas contas interagiam com perfis ligados a partidos de direita.
Sheinbaum reforçou que o estudo é importante para revelar “como se construiu a convocatória e quem promoveu essa mobilização, para que ninguém seja usado”.
A presidente também afirmou que muitos dos jovens que anunciaram participação sequer pertenciam à Geração Z e estimou que cerca de 90 milhões de pesos teriam sido investidos em impulsionamento digital para promover a marcha.
A manifestação terminou com tensão, denúncias de violência e acusações de manipulação política, e novos desdobramentos ainda são aguardados.