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No início da tarde desta quarta-feira (26), uma das áreas mais movimentadas do centro de Washington se tornou o epicentro de uma corrida policial. O nome de Rahmanullah Lakanwal, até então desconhecido do público, passou a circular rapidamente entre rádios policiais e agências federais. Aos 29 anos e natural de Kandahar, ele havia chegado aos Estados Unidos em 2021 como parte do grande contingente de afegãos evacuados após a retirada militar norte-americana do Afeganistão — operação que, segundo o Departamento de Estado, realocou mais de 190 mil pessoas em caráter emergencial.
Até o ataque desta quarta, sua vida no país seguia sem notoriedade. De acordo com a Fox News, Lakanwal havia trabalhado no Afeganistão para uma força associada ao governo dos EUA, com atividades que teriam incluído colaboração com a CIA. O ex-diretor da agência, John Ratcliffe, afirmou que sua entrada no território americano foi autorizada justamente por esse vínculo.
Lakanwal ingressou no país em 8 de setembro de 2021 por meio da Operação Aliados Bem-Vindos, que acelerou a chegada de afegãos que apoiaram forças militares dos EUA. A maioria recebeu autorização temporária de permanência por dois anos. Segundo o Departamento de Segurança Interna, mais de 40% eram elegíveis para o programa de Visto Especial de Imigrante (SIV). Ele pediu asilo em 2024 e obteve proteção em 2025.
Durante esse período, enfrentou trâmites migratórios prolongados, revisões documentais e fases em que permaneceu em situação irregular após o vencimento do visto temporário — realidade que afetou parte dos afegãos evacuados. Não havia registros públicos de atividades profissionais recentes ou antecedentes criminais relevantes.
Tiroteio no centro de Washington
A sequência que culminou no ataque começou por volta das 14h15, nas proximidades da estação de metrô Farragut West, zona cercada por escritórios federais, hotéis, turistas e forte presença policial. Dois membros da Guarda Nacional foram gravemente feridos quando um homem abriu fogo no local.
A prefeita Muriel Bowser classificou o episódio como um “tiroteio seletivo”, sem detalhar possível motivação. Lakanwal foi detido após um confronto com agentes e levado sob custódia ao hospital, também ferido.
Reações imediatas e repercussões políticas
A ação rapidamente ganhou contornos políticos. O presidente Donald Trump chamou o ataque de “ato de terrorismo” e defendeu uma revisão completa do status migratório de todos os afegãos que entraram no país durante o governo Biden.
O secretário da Guerra, Pete Hegseth, anunciou o reforço de militares em Washington. Já o vice-presidente J.D. Vance afirmou que ainda não há hipótese confirmada para a motivação do ataque.
Investigação em andamento
As forças federais agora buscam reconstruir os movimentos recentes de Lakanwal, analisar sua situação migratória, redes de contato e histórico no Afeganistão. Até o momento, não há indícios divulgados sobre possível radicalização, problemas de saúde mental ou dificuldades financeiras que expliquem a mudança entre sua chegada como evacuado e o tiroteio desta semana.
Investigadores vasculham registros de emprego, comunicações e interações para determinar se ele agiu sozinho e o que antecedeu o ataque. Os dois membros da Guarda Nacional seguem em estado crítico.
De colaborador das forças aliadas no Afeganistão a protagonista de um caso que mobiliza o país, Rahmanullah Lakanwal agora enfrenta um processo criminal em meio a um acalorado debate político e migratório. Sua trajetória, antes confinada a documentos administrativos, tornou-se peça central de uma investigação federal a poucos metros da Casa Branca.