Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou ser grato por conduzir o caso envolvendo o Banco Master durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita durante um evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC).
“Agradeço a Deus por passar por isso sob o presidente Lula. Eu quero sublinhar a garantia da autonomia do BC e da Polícia Federal”, disse Galípolo.
Em sua fala, o chefe da autoridade monetária também agradeceu o apoio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, além do trabalho do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e da Polícia Federal.
O presidente do BC defendeu a decisão de liquidar o banco controlado por Daniel Vorcaro, diante de diversos vencimentos de Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Segundo ele, a atuação do Banco Central se limita à comunicação de fatos, sem atribuições investigativas criminais.
“O Banco Central não faz notícia de crime. O Banco Central noticia fatos”, afirmou. “Identificar inconsistências e comunicar os órgãos competentes faz parte do mandato da autoridade monetária”, acrescentou, ao destacar que a apuração de eventuais ilícitos cabe à Polícia Federal e ao Ministério Público.
Galípolo também comentou declarações feitas anteriormente por Lula. Em janeiro, durante um evento em Maceió, o presidente afirmou que o pobre no Brasil é sacrificado “enquanto que um cidadão do Banco Master deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”.
Para o presidente do BC, quando um tema ganha grande visibilidade, é natural que surjam diferentes interpretações e julgamentos. “É humano, demasiadamente humano. Quando um assunto fica evidente, todo mundo passa a ter opinião sobre ele”, disse. Segundo Galípolo, cabe ao Banco Central esclarecer os fatos “dentro dos limites que a legalidade permite”, para evitar que narrativas ou desinformação contaminem a percepção do público.
Ao abordar a política de captação de recursos por instituições financeiras, Galípolo afirmou que não há impedimento legal para a oferta de taxas acima do CDI. “Não há nenhuma regra que vede captações a taxas acima do CDI. Isso, por si só, não é motivo para liquidar um banco”, declarou.
De acordo com ele, o ponto central da análise está na relação entre ativos e passivos. “Você começa a construir um banco a partir do passivo. É a configuração do passivo que define que tipo de ativo é possível ter”, afirmou.
“Qualquer banco que consiga fazer o casamento bem feito de ativo e passivo, se ele passar por problemas para captar, isso deveria afetar o crescimento do banco, mas não a solvência”, disse Galípolo. “Quando você tem este tipo de problema, você pode sempre vender algum tipo de ativo para resolver aquele problema emergencial.”
