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A Acadêmicos de Niterói foi a única escola rebaixada do Grupo Especial no Carnaval do Rio de Janeiro 2026. A agremiação terminou a apuração com 264,6 pontos e disputará a Série Ouro em 2027, após um desfile marcado por forte conteúdo político, polêmicas judiciais e problemas técnicos na dispersão.
A escola levou à Marquês de Sapucaí o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O desfile foi desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins e pelo enredista Igor Ricardo e enfrentou resistência antes mesmo de ir à Avenida.
O enredo foi alvo de pelo menos dez ações judiciais e representações no Ministério Público e no TCU que tentaram impedir a apresentação ou suspender repasses de recursos públicos. As iniciativas alegavam que trechos do samba e encenações configurariam propaganda eleitoral antecipada, já que a legislação permite campanha apenas a partir de 16 de agosto. Também houve pedidos para barrar a presença de Lula na Sapucaí e para restringir manifestações consideradas ataques a adversários.
O caso chegou ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral, que, por unanimidade, rejeitou liminar para proibir o desfile. A presidente da Corte, Cármen Lúcia, afirmou que a intervenção poderia configurar censura prévia, mas alertou que excessos poderiam ser analisados posteriormente. A ação foi protocolada pelo Partido Novo.
Após a decisão, o PT orientou integrantes a evitarem atos que pudessem ser interpretados como propaganda antecipada. O governo federal negou irregularidades e afirmou que não participou da escolha do enredo, sustentando que o apoio financeiro às escolas é prática recorrente.
Na Avenida, a comissão de frente encenou a rampa do Palácio do Planalto, remetendo à última posse presidencial, com integrantes representando setores da sociedade civil. Atores e bailarinos também interpretaram o ministro Alexandre de Moraes e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
O carro abre-alas retratou o agreste pernambucano, região onde Lula nasceu, destacando contrastes entre exuberância e escassez. Em outra alegoria, a escola apresentou críticas às políticas sociais do governo Bolsonaro e à condução da pandemia, além de referência à prisão do ex-presidente.
O desfile também gerou reação de partidos e parlamentares, especialmente da bancada evangélica, por causa da ala “Neoconservadores em conserva”, que trazia famílias representadas dentro de latas, algumas com adereços de referência religiosa.
No aspecto técnico, a Acadêmicos de Niterói enfrentou problemas na dispersão. Alegorias ficaram presas na saída da Avenida, provocando correria no fim da apresentação e permanecendo no local após o encerramento do desfile. A Imperatriz Leopoldinense alegou ter sido prejudicada pelo incidente.
Durante a apuração, realizada na Cidade do Samba, a escola recebeu apenas duas notas 10 nos nove quesitos avaliados — bateria, harmonia, evolução, samba-enredo, enredo, mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, alegorias e fantasias — e acabou na última colocação entre as 12 agremiações do Grupo Especial.
Após o desfile, Lula elogiou a apresentação nas redes sociais. A oposição reagiu com novas críticas e anunciou medidas judiciais, reiterando a acusação de promoção eleitoral antecipada e uso indevido de recursos públicos. Em nota divulgada na segunda-feira (16), a escola afirmou ter sofrido perseguições durante a preparação para o carnaval em razão do enredo escolhido.
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