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O ator Wagner Moura afirmou, em entrevista ao jornal El País, publicada nesta quinta-feira (19), que teme a atuação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE). As declarações foram dadas durante a divulgação do filme O Agente Secreto, indicado a quatro categorias do Oscar.
Radicado em Los Angeles, na Califórnia, o ator criticou as políticas de controle migratório do governo de Donald Trump e afirmou que o clima entre imigrantes é de apreensão.
“Até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”, disse Moura.
Segundo o artista, o receio não é isolado. Ele relata que muitos imigrantes latinos evitam sair de casa diante da possibilidade de abordagens das autoridades migratórias. “Conheço muitos latinos que estão escondidos em casa, sem levar os filhos à escola. Vivemos tempos muito tristes“, declarou.
Durante a entrevista, Moura também traçou um paralelo entre o cenário político norte-americano e o período do governo de Jair Bolsonaro no Brasil. Para ele, regimes autoritários tendem a mirar artistas, jornalistas e intelectuais.
“O Brasil passou pelo mesmo que os Estados Unidos passam agora. A extrema-direita no Brasil foi muito eficaz em transformar, diante das pessoas, os artistas brasileiros em inimigos do povo. Com um discurso com mensagens como a de que essa gente vive do dinheiro público. Ou como conseguiram fazer com que a verdade desaparecesse”, afirmou.
O ator também comentou o papel das redes sociais no cenário político contemporâneo. “Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema-direita. De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo, continuar lá, com pequenas desobediências“, declarou.
