Billie e Georgia, estas palavras são para vocês.
Eu tentei. Às vezes tropecei, mas eu tentei. No geral, nós nos divertimos muito, não foi? Lembro de todos os momentos que passamos na praia. Vocês duas, eu e a mamãe em Malibu, Santa Mônica, Havaí, México. Vejo vocês agora brincando no mar por horas, minhas pequenas sereias.
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Aqueles dias — literalmente — foram o paraíso.
Quero dizer quatro coisas que aprendi com essa doença, e espero que vocês não apenas escutem, mas realmente ouçam.
Primeiro: vivam agora, neste exato momento, no presente. É difícil, mas eu aprendi. Durante anos vivi vagando mentalmente, perdido na minha cabeça por longos períodos, mergulhado na preocupação, na autopiedade, na vergonha e na dúvida. Revivia decisões, me questionava: “Eu deveria ter feito isso”. “Eu nunca deveria ter feito aquilo.” Chega.
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Por pura sobrevivência, fui obrigado a permanecer no presente. Mas não quero estar em nenhum outro lugar. O passado carrega arrependimentos. O futuro ainda é desconhecido. Então vocês precisam viver o agora. O presente é tudo o que vocês têm. Valorizem. Apreciem cada momento.
Em segundo lugar: apaixonem-se. Não necessariamente por uma pessoa — embora eu recomende também. Mas apaixonem-se por algo. Encontrem sua paixão, sua alegria.
Encontrem aquilo que faça vocês quererem levantar da cama pela manhã. Que impulsione o dia inteiro. Eu me apaixonei pela primeira vez mais ou menos na idade de vocês. Me apaixonei pela atuação.
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Esse amor me ajudou a atravessar minhas horas mais sombrias, meus dias mais difíceis, meu ano mais duro. Ainda amo o meu trabalho. Ainda fico animado com ele. Ainda quero estar diante das câmeras e interpretar meu papel. Meu trabalho não me define, mas me entusiasma.
Encontrem algo. Encontrem algo que empolgue vocês. Encontrem seu caminho. Seu propósito. Seu sonho. E então vão atrás dele. De verdade. Vão com tudo.
Em terceiro lugar: escolham bem seus amigos. Encontrem as pessoas de vocês e permitam que elas encontrem vocês. Entreguem-se a essas amizades. Os melhores amigos retribuirão da mesma forma. Sem julgamento. Sem condições. Sem questionamentos.
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Sou profundamente grato à minha família e aos meus amigos mais próximos. Cada um deles esteve presente. Eu já não consigo fazer nem as pequenas coisas que fazia antes. Não posso dirigir pela cidade, ir à academia, tomar um café, sair por aí. Aprendi a abraçar as alternativas. Meus amigos vêm até mim. Comemos juntos, assistimos a um jogo, ouvimos música. Eles não fazem nada extraordinário. Apenas estão ali. E isso é muito. Simplesmente estar.
Amem seus amigos com tudo o que têm. Segurem firme nessas amizades. Eles vão divertir vocês, ajudar, apoiar — e alguns, inclusive, vão salvar vocês.
Por último: lutem com cada fibra do seu ser e com dignidade. Quando enfrentarem desafios — de saúde ou de qualquer outro tipo — lutem. Nunca desistam. Lutem até o último suspiro. Essa doença está lentamente tomando meu corpo, mas nunca vai tirar meu espírito.
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Vocês duas são diferentes. Mas ambas são fortes e resilientes. Herdaram essa resiliência de mim. Esse é o meu superpoder. Eu caio e me levanto de novo. E continuo voltando. Levanto uma, duas, três vezes. Mark diz que sou como um gato. Só que um gato tem nove vidas — e eu já estou, tranquilamente, na décima quinta.
Então, quando algo inesperado atingir vocês — e vai acontecer, porque assim é a vida — lutem e enfrentem com honestidade, integridade e graça, mesmo quando parecer impossível.
Espero ter mostrado a vocês que é possível enfrentar qualquer coisa. É possível encarar o fim com dignidade. É possível atravessar o inferno mantendo a postura.
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Lutem, meninas, e mantenham a cabeça erguida.
Billie e Georgia, vocês são o meu coração. Vocês são tudo para mim.
Boa noite. Eu amo vocês.
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Estas são minhas últimas palavras.