quinta-feira, 13 de maio de 2021

Campanha contra lockdown e “comunismo” deve fortalecer direita nas eleições regionais em Madri

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RFI – A população da comunidade de Madri vai às urnas nesta terça-feira (4) para votar nas eleições antecipadas convocadas pela atual governadora, Isabel Díaz Ayuso. A campanha contra medidas sanitárias e os ataques ao primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez deve consolidar a liderança da política no Partido Popular, de direita. Durante a campanha, houve até ameaças de morte a candidatos — fato que levou a ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, a manifestar sua solidariedade a um dos representantes de esquerda.

À frente da administração que menos adotou medidas restritivas para conter a epidemia do coronavírus na Espanha, a chefe do governo regional de Madri, Isabel Díaz Ayuso, convocou eleições antecipadas com a esperança de sair fortalecida do pleito e ampliar o poder de influência do Partido Popular, segunda força política do país. No poder desde 2019, ela espera obter maioria absoluta de votos e conseguir governar sem a necessidade de uma coalizão pelos próximos dois anos.

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As pesquisas apontam que, de fato, o partido de Ayuso terá um crescimento significativo em relação às eleições regionais de 2019, passando de 25% a 41% dos votos. Grande parte do apoio vem de empresários e trabalhadores dos setores de gastronomia e comércio, que, ao contrário do que ocorreu em outras regiões da Espanha, puderam seguir de portas abertas desde o fim do lockdown nacional, em abril do ano passado.

Não por acaso, a campanha de Ayuso foi estruturada em torno da ideia de liberdade, que ela contrapõe ao que classifica como “comunismo” do governo central, do socialista Pedro Sánchez. Já a oposição ironiza o slogan, dizendo que a liberdade existente na comunidade de Madri, formada pela capital e municípios vizinhos, é a de circulação do vírus. A província de Madri, que compreende a área da comunidade de mesmo nome, é a nona com mais mortes por mil habitantes dentre as 50 existentes na Espanha.

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Dependência da extrema direita

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Mesmo que as pesquisas indiquem crescimento vertiginoso do PP, Ayuso provavelmente continuará dependendo do apoio do partido de ultradireita Vox para seguir no poder. Na Espanha, diferentemente do Brasil, vigora o parlamentarismo, que exige maioria legislativa para governar. Segundo as últimas pesquisas, a ultradireita receberia cerca de 10% dos votos.

Nas últimas eleições regionais, em 2019, a governadora conseguiu se eleger com o apoio do Vox e do partido de centro-direita Cidadãos, que desta vez corre o risco de não obter o mínimo de 5% dos votos necessário para aceder à Assembleia.

O enfraquecimento do Cidadãos já vinha se verificando a nível nacional e foi um dos motivos que levaram Ayuso a romper com o partido e convocar as eleições antecipadas, ao vislumbrar a oportunidade de lograr um governo sem a centro-direita e, idealmente, também sem o Vox.

A possibilidade de que apenas a saída do Cidadãos se confirme é um cenário que preocupa analistas políticos do país, já que o partido muitas vezes funcionava como um anteparo a medidas mais radicais do Vox.

Representados pela arquiteta Rocío Monastério, filha de um empresário cubano que deixou a ilha após ter seus negócios expropriados pela ditadura de Fidel Castro, os ultradireitistas centraram a campanha nas críticas às políticas de apoio a menores estrangeiros que chegam ao país desacompanhados e na oposição ao aborto e à eutanásia, direitos garantidos por lei.

Ameaças de morte

Monastério também protagonizou um episódio polêmico ao se recusar a condenar uma ameaça de morte recebida pelo candidato de esquerda Pablo Iglesias, que deixou seu cargo como vice-primeiro-ministro da Espanha para disputar o governo de Madri pelo partido Unidas Podemos.

No último dia 22 de abril, foram interceptados três envelopes com mensagens ameaçadoras e projéteis de armas de fogo que estavam dirigidas a Iglesias, ao ministro do Interior e à diretora-geral da Guarda Civil. No dia seguinte, no que seria o segundo debate entre os candidatos — já sem a presença de Ayuso, que decidira participar apenas do primeiro programa — a candidata do Vox lançou dúvidas sobre a veracidade das ameaças. Indignado, Iglesias decidiu abandonar o estúdio, no que foi sucedido pelos demais candidatos de esquerda.

Depois desse episódio, cartas similares chegaram novamente a Iglesias e a outros políticos e ex-políticos espanhóis de esquerda. Por fim, também a candidata à reeleição em Madri, Isabel Díaz Ayuso, foi alvo de correspondência similar. Até agora, foi identificado apenas o autor da ameaça contra a ministra de Indústria, Comércio e Turismo: um homem com transtornos mentais que confessou a autoria do crime. Não se sabe se os demais envios foram realizados por uma ou mais pessoas.

Socialistas na liderança

De acordo com as pesquisas, as chances de a esquerda conseguir formar governo nestas eleições são remotas. Projeções feitas pelo jornal El País indicam uma probabilidade de 16%. Nesse espectro político, o partido que reúne maior percentual de intenções de votos é o PSOE, do primeiro-ministro Pedro Sánchez, que entrou na disputa com o candidato Ángel Gabilondo (em segundo nas pesquisas, com 21%). Em seguida vêm o Mais Madri, representado pela médica Mónica García, e o Unidas Podemos, de Iglesias. Juntos, os três somam cerca de 45% das intenções de votos.

Na reta final da campanha, no último domingo (2), Iglesias divulgou no Twitter um vídeo em que a ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, manifesta sua solidariedade por causa das ameaças recebidas por ele. “As forças cada vez mais radicais e fascistas da direita ameaçam a democracia, produzindo medo e aprofundando o ódio e a violência em nossas sociedades. Mas não passarão, não conseguirão”, disse Dilma, que Iglesias definiu como alguém que “experimentou na própria pele do que o fascismo é capaz”.

 

Para tentar evitar novos contágios nos colégios eleitorais, a votação ocorrerá entre as 9h e as 20h desta terça-feira, com faixas de horário prioritárias para idosos e pessoas com suspeita ou confirmação de Covid-19. A expectativa é que os resultados das urnas sejam conhecidos até as 23h no horário local (18h de Brasília).

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A Gazeta Brasil é um jornal brasileiro diário editado na cidade de São Paulo. Publica textos, fotos, vídeos no formato digital. Faz parte do grupo AZComm Comunicação e Eventos.
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